Guanci (MSC): ‘Pessoa no centro’ — IA deve ampliar, não substituir, o marketing
Guanci (MSC) diz em Milão que a inteligência artificial deve potencializar o ser humano no marketing, sem substituí-lo.
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Guanci (MSC): ‘Pessoa no centro’ — IA deve ampliar, não substituir, o marketing
Por Giulliano Martini — Em apuração in loco durante o Intersections 2026, evento italiano dedicado a marketing, comunicação, criatividade e tecnologia realizado no Allianz MiCo, em Milão, Andrea Guanci, Diretor de Marketing da MSC Cruzeiros na Itália, defendeu uma posição pragmática e técnica sobre o uso de inteligência artificial no setor turístico. O recado, direto e sem floreios, foi: a tecnologia é suporte; o centro continua a ser o ser humano.
Guanci afirmou que a verdadeira transformação não passa por uma demasia de substituições, mas por um redesenho das funções humanas amplificado por ferramentas algorítmicas. "A receita do marketing hoje não é mudar completamente suas funções, mas continuar a ter o ser humano ao centro para potencializar e amplificar suas atividades por meio da inteligência artificial", declarou o executivo durante sua participação no palco do Intersections 2026.
Na leitura técnica promovida pelo Diretor de Marketing, o algoritmo assume papel de auxiliar com capacidade de memória e processamento sobre informações que seriam impraticáveis para um operador humano: itinerários, navios, portos e excursões das frotas MSC tornar-se-ão imediatamente acessíveis por meio de tecnologias que concentram dados. "Graças à inteligência artificial não será mais necessário lembrar quais navios tem a MSC, quais são os itinerários, os portos ou as excursões. Tudo será facilmente acessível por uma tecnologia que saberá tudo sobre uma cruzeiro da MSC sem, contudo, tê-la vivido", sintetizou Guanci.
O ponto nuclear da fala, porém, residiu na delimitação das capacidades da máquina em relação ao humano. Guanci destacou que o elemento distintivo do trabalho humano é justamente aquilo que as máquinas têm dificuldade em replicar: o caos, a confusão produtiva, a capacidade de extrair ideias novas a partir de erros e da intuição. "O ser humano continua a ser único e distintivo numa característica que talvez a IA nunca tenha pela forma como foi criada e treinada: o caos, a confusão, a capacidade de gerar novas ideias a partir dos erros e da intuição", disse o diretor. "Este é o elemento típico do ser humano e a receita para criar distintividade e ser encontrável também pelas máquinas."
Do ponto de vista da reportagem, a posição é coerente com um movimento mais amplo no setor: aplicar machine learning e automação para ganhos de eficiência operacional e de experiência do cliente, preservando decisões estratégicas e criativas nas mãos de equipes humanas. O cruzamento de fontes com executivos presentes e material divulgado pela organização do Intersections 2026 confirma a ênfase do evento em pontuar essa complementaridade entre tecnologia e capital humano.
Em termos práticos para o turismo, a tese de Guanci implica que ferramentas de inteligência artificial podem reduzir atritos transacionais (consulta a itinerários, reservas, recomendações de excursões), enquanto a diferenciação de marca e as propostas de valor seguirão dependentes da interpretação humana do contexto, do erro e da intuição criativa — fatores que, segundo ele, alimentam a distinção frente aos concorrentes e tornam as ofertas "rastreáveis" também pelos sistemas automatizados.
Registro final: a mensagem apresentada no Allianz MiCo é técnica e calibrada. Não se trata de retórica futurista, mas de um roteiro de implementação: adotar algoritmos como ferramentas de suporte e manter o ser humano na linha de frente da criatividade e do julgamento estratégico. A apuração encontra consistência entre a fala do executivo e as tendências observadas no mercado europeu de turismo tecnologia-centrado.

