Andos celebra 50 anos: qualidade de vida deve integrar tratamento do câncer de mama
ANDOS completa 50 anos e pede que a qualidade de vida seja parte integral do tratamento do câncer de mama na Itália.
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Andos celebra 50 anos: qualidade de vida deve integrar tratamento do câncer de mama
Roma, 24 de setembro — A ANDOS (Associazione Nazionale Donne Operate al Seno) completa 50 anos e promove no dia 24 de setembro, no Palazzo delle Esposizioni de Roma, o evento "L’evoluzione della cura – Cinquant’anni di innovazione e sostegno alle donne nel trattamento del tumore al seno". A iniciativa servirá para revisar meio século de transformações na senologia e definir prioridades para o futuro com o patrocínio de instituições e sociedades científicas, entre as quais Regione Lazio, Roma Capitale, Agenas, ISS, CNR, Anci, Aiom, Fondazione Aiom, Sipo, Sirm, Sit e Fnomceo.
Dados oficiais apontam que, hoje, cerca de 925 mil mulheres na Itália vivem após o diagnóstico de câncer de mama e a sobrevivência em 5 anos alcança 88%. Há cinquenta anos o quadro era distinto: intervenções cirúrgicas majoritárias eram demolitivas, o esvaziamento axilar expondo a alto risco de linfedema, o suporte psicológico era praticamente inexistente e a mortalidade era consideravelmente maior.
"A evolução da cura tem sido extraordinária, mas nosso objetivo não pode limitar-se à mera sobrevivência", afirma Flori Degrassi, presidente nacional da ANDOS. "Salvar uma vida inclui devolver à mulher a possibilidade de vivê‑la em plenitude. A qualidade de vida — reabilitação, apoio psicológico e social, sexualidade, trabalho e recuperação da imagem corporal — deve ser parte integrante do percurso terapêutico. Além disso, é imprescindível garantir igualdade de acesso à prevenção, diagnóstico e tratamento, independentemente do território ou condição socioeconômica".
O relato histórico da associação descreve como, nos primeiros anos, as voluntárias da ANDOS entravam em hospitais para encontrar mulheres antes e depois das operações, oferecendo escuta, apoio e iniciativas de reabilitação. Práticas como linfodrenagem, atividades em piscina e ginástica e, mais tarde, programas de formação estruturados passaram a recuperar não só a funcionalidade física, mas também a autonomia e a confiança.
No mesmo período, a medicina oncológica sofreu mudanças rápidas: estudos de Gianni Bonadonna demonstraram o valor da quimioterapia adjuvante e os resultados do ensaio clínico coordenado por Umberto Veronesi, divulgados em 1981 a partir de um trial iniciado em 1973, abriram caminho à cirurgia conservadora para tumores de pequenas dimensões. Evoluíram subsequentemente as terapias hormonais, a técnica do linfonodo sentinela, a identificação das mutações BRCA1 e BRCA2 e as primeiras terapias alvo. Nos anos mais recentes, testes genômicos e a medicina de precisão têm permitido tratamentos cada vez mais individualizados. Os primeiros programas de rastreamento organizados consolidaram‑se a partir dos anos 2000.
Paralelamente, transformou‑se o papel das pacientes: de beneficiárias passivas a protagonistas informadas do próprio percurso terapêutico. A reivindicação por acompanhamento multidisciplinar — que inclua reabilitação física, suporte psico‑social e reinserção laboral — passou a integrar as prioridades tanto das associações de pacientes quanto das sociedades científicas.
O encontro de 24 de setembro da ANDOS funcionará como um raio‑x desta trajetória e como fórum para apontar lacunas e soluções. Entre os temas previstos estão a equidade territorial no acesso aos serviços, a integração da qualidade de vida nos protocolos clínicos e a expansão de redes de suporte para sobreviventes.
Relato e análise embasam a iniciativa: apuração in loco e cruzamento de fontes institucionais confirmam que a longevidade alcançada exige agora um salto qualitativo no cuidado, do tratamento da doença ao restabelecimento da vida cotidiana das mulheres.

