Avatar e realidade aumentada tornam separação de gêmeos siameses mais precisa e segura, diz neurocirurgião Giussani
Protocolo com avatars, realidade aumentada e 30 modelos 3D torna separação de gêmeos siameses mais precisa; tecnologia apoia, não substitui, neurocirurgião.
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Avatar e realidade aumentada tornam separação de gêmeos siameses mais precisa e segura, diz neurocirurgião Giussani
Apuração in loco — Em apresentação no 75º Congresso Nacional da Sinch, realizado recentemente em Catania, o neurocirurgião Carlo Giorgio Giussani detalhou um protocolo iterativo que emprega avatars virtuais e físicos para planejar a separação de gêmeos siameses. Giussani é diretor da Clínica de Neurocirurgia da Fondazione Irccs San Gerardo dei Tintori, em Monza, e responsável pela Seção de Neurocirurgia Pediátrica da Sociedade Italiana de Neurocirurgia.
Segundo o especialista, a separação de gêmeos siameses figura entre os procedimentos mais complexos da neurocirurgia pediátrica, devido à raridade dos casos e às múltiplas dificuldades diagnósticas, técnicas e multidisciplinares que impõem ao planejamento cirúrgico. O trabalho apresentado descreve um ciclo de estudo e intervenção que durou cerca de um ano e meio, com reavaliações sistemáticas após cada etapa operatória.
O programa cirúrgico seguiu fases definidas: duas separações neurovasculares, implantação de próteses expansivas para a pele e, por fim, a separação definitiva. Giussani relatou que, depois de cada procedimento, a anatomia do sistema nervoso e do leito vascular sofreu alterações substanciais. "Era necessário reestudar a anatomia do zero, gerar novos avatars e replanejar as fases seguintes, adaptando-se a modificações inesperadas", afirmou.
O percurso iterativo combinou ferramentas de realidade aumentada, simulações virtuais, mais de 30 modelos tridimensionais e ensaios em sala de angiografia. Nas simulações pré-operatórias, a equipe utilizou pequenos balões para oclusão temporária de artérias e veias importantes, observando a resposta fisiológica das crianças e identificando possíveis trajetórias microcirúrgicas seguras.
Giussani enfatizou o papel da tecnologia como um suporte técnico: "A tecnologia torna o gesto cirúrgico mais seguro, mas não substitui o estudo da anatomia nem a autonomia cognitiva do cirurgião. É um apoio à competência, não uma alternativa." A declaração ressalta a linha defensiva do protocolo: combinar inovações sem delegar a decisão clínica única ao instrumento.
O relato, apresentado em abstract no Congresso, oferece um raio-x do uso integrado de modelos tridimensionais e simulações para intervenções de altíssima complexidade. A experiência demonstra que o emprego de avatars — versões virtuais e físicas reproduzindo, etapa a etapa, as modificações anatômicas — permite replanejamentos mais rápidos, precisos e adaptativos, reduzindo variáveis de risco em contextos inesperados.
Do ponto de vista jornalístico e técnico, o caso ilustra a necessidade do processo iterativo quando se lida com anatomias dinâmicas: qualquer alteração na arquitetura vascular ou neural exige revalidação prática antes da próxima intervenção. A metodologia descrita por Giussani reafirma o princípio da interdisciplinaridade e o cruzamento de fontes e técnicas como pilares para intervenções pediátricas de alta complexidade.
Em síntese, a integração entre realidade aumentada, modelagem 3D e testes em ambiente controlado tem potencial para elevar a segurança das separações de gêmeos siameses, mantendo inalterável o papel decisório e técnico do neurocirurgião experiente.

