Caso Garlasco: por que a Procuradoria de Pavia volta a buscar o perfil 'ignoto 2' nas unhas de Chiara Poggi
Procura de Pavia reabre checagem do perfil 'ignoto 2' e investiga possível contaminação nas amostras sob as unhas de Chiara Poggi.
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Caso Garlasco: por que a Procuradoria de Pavia volta a buscar o perfil 'ignoto 2' nas unhas de Chiara Poggi
Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes mostram que a investigação sobre o homicídio de Chiara Poggi entrou em nova fase técnica. A Procura di Pavia reativou as análises sobre perfis genéticos isolados nas amputações de unha da vítima, com foco em um perfil masculino até hoje sem identificação, referido nos autos como "ignoto 2", e nas amostras encontradas sob as unhas de Chiara Poggi.
O perfil conhecido como ignoto 2 é, tecnicamente, um perfil aplotípico do cromossomo Y detectado no quarto dedo da mão esquerda da vítima. Trata-se de um DNA que não coincidia com o perfil principal que acompanhou a investigação por anos nem com outros dois perfis masculinos localizados em dedos diferentes, que para a acusação correspondem ao novo indiciado, Andrea Sempio.
A razão prática da reabertura das verificações é explícita: os magistrados quiseram excluir, com diligência técnica, que essas amostras biológicas não sejam fruto de uma possível contaminação acidental ocorrida durante as análises antigas em laboratório. O passo foi dado nos últimos meses, em particular desde agosto, após a conclusão de uma perícia em incidente probatório e o depósito de atos da nova inquérito envolvendo Sempio.
Para esse controle, a Procuradoria solicitou aos carabinieri del RIS di Parma que verificassem a lista completa de pessoas presentes no dia 4 de setembro de 2007 — data em que foram realizadas operações sobre os fragmentos de unhas — e que confrontassem os perfis genéticos, incluindo o de ignoto 2 e os dois atribuídos a Andrea Sempio, com um banco de exclusão do pessoal envolvido nas operações.
Das checagens emergiu que, naquele dia de coleta, estavam presentes diversos atores: advogados, peritos de parte e os capitães do RIS Alberto Marino e Aldo Mattei. O capitão Marino confirmou, nos autos, ter atuado pessoalmente sobre os fragmentos de unha. Ainda assim, o confronto realizado pelo RIS em 13 de agosto, através do software de exclusão, registrou resultado negativo para os três perfis levados ao exame.
O resultado negativo deve ser lido com a ressalva técnica de que, no banco de referência utilizado para o confronto, constava apenas o perfil do capitão Marino, limitando, até o momento, a verificação direta aos dados disponíveis. Em síntese: a procura por ignoto 2 prossegue não por descoberta de um vínculo novo, mas para eliminar a possibilidade de que o DNA desconhecido seja efeito de manipulação ou erro em cadeia de custódia.
O quadro revela a atenção dos magistrados ao procedimento forense — a investigação privilegia hoje testes que confirmem a origem das amostras e a integridade das análises passadas. Como disse o genetista Ugo Ricci sobre as amostras: "Ficamos atônitos: análises incongruentes em 24 horas" — frase que reflete a urgência técnica de se pôr ordem nos dados genéticos disponíveis.
O caso Garlasco, histórico e mediático, volta ao foco por meio do que chamo de raio-x do cotidiano forense: limpeza de narrativas, verificação de cadeias de custódia e confronto direto entre perfis. A investigação agora consolida procedimentos para que qualquer uso pericial futuro sobre o perfil chamado ignoto 2 esteja livre de dúvidas sobre sua origem.
Seguiremos acompanhando com apuração rigorosa e cruzamento de fontes todas as diligências complementares requisitadas pelos magistrados em Pavia.

