Chauveau (Ina): entre a propaganda histórica e a desinformação digital persiste a ilusão do verdadeiro
Agnès Chauveau (Ina) alerta que propaganda e desinformação mantêm a ilusão do verdadeiro; arquivos audiovisuais são chave contra a reescrita da história.
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Chauveau (Ina): entre a propaganda histórica e a desinformação digital persiste a ilusão do verdadeiro
Por Giulliano Martini — Em pronunciamento em Palazzo Farnese, sede da Embaixada da França em Roma, Agnès Chauveau, historiadora dos meios e diretora-geral delegada do Institut National de l’Audiovisuel (Ina), traçou um diagnóstico pragmático sobre a continuidade e as rupturas entre a propaganda tradicional e a desinformação na era digital.
Chauveau abriu sua intervenção no encontro "Guerra da informação: da propaganda à pós-verdade" com uma observação concisa e factual: “O que permanece constante entre a propaganda de outrora e a desinformação digital de hoje é a intenção de criar a ilusão do verdadeiro” — uma afirmação que reduz a análise a um núcleo interpretativo claro, sem floreios retóricos.
Na sequência, a dirigente do Ina destacou a diferença substantiva do presente: a velocidade e a multiplicação exponencial das informações falsas. “Hoje, as informações falsas se multiplicam e até o cidadão comum é submerso por fake news, tendo cada vez mais dificuldade para distinguir o falso do verdadeiro”, disse Chauveau em declaração registrada pela apuração in loco.
Como resposta operacional a essa erosão da confiança informativa, Chauveau defendeu a preservação e o uso estratégico do arquivo audiovisual. Segundo ela, manter fundos arquivísticos completos permite verificar o que realmente aconteceu, o que foi dito e o que foi difundido. O argumento é técnico e direto: arquivos não neutralizam todas as manipulações — imagens autênticas também podem ter servido para propagar informações falsas —, mas constituem um baluarte contra tentativas de reescrita da história.
O debate integra o ciclo de discussões do outono de 2026 "Informação e democracia — Os desafios na era da pós-verdade", promovido pela Embaixada da França na Itália e pelo Institut français Italia em diversas cidades italianas. O programa aborda, de forma sistemática, as transformações do ecossistema da informação: desde a proliferação da desinformação até o impacto da inteligência artificial, passando pela necessidade de regulação das plataformas e pelas consequências dessas dinâmicas no debate democrático.
Do ponto de vista factual, a intervenção de Chauveau oferece três pontos centrais para quem investiga a matéria: 1) a persistência da intenção de dar verossimilhança às narrativas falsas; 2) a aceleração e a escala inéditas da disseminação de fake news em ambientes digitais; 3) o papel do arquivo audiovisual como instrumento de verificação e resistência contra a manipulação da memória coletiva.
Na linguagem técnica da apuração, são conclusões que obrigam atores públicos e privados a medidas concretas: fortalecimento de arquivos institucionais, promoção de literacia midiática entre cidadãos e avanços regulatórios que obriguem plataformas a transparência e responsabilidade. A realidade traduzida por Chauveau é direta: sem fontes primárias preservadas e acessíveis, a disputa entre fato e ficção tende a favorecer quem domina a amplificação digital.
Registro final: o encontro em Palazzo Farnese reafirma que o debate sobre informação e democracia não é abstrato, é prático e demanda políticas públicas e ações institucionais robustas — um raio-x do cotidiano informativo que não admite simplificações.

