Código Rocchi: gestos tipo 'pugno, carta, forbice' teriam orientado decisões do VAR na Sala Var de Lissone

Ex-árbitro relata 'código Rocchi' com gestos ('pugno, carta, forbice') para orientar o VAR na Sala Var de Lissone; investigação da Justiça em curso.

Código Rocchi: gestos tipo 'pugno, carta, forbice' teriam orientado decisões do VAR na Sala Var de Lissone

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Código Rocchi: gestos tipo 'pugno, carta, forbice' teriam orientado decisões do VAR na Sala Var de Lissone

Por Giulliano Martini — Apuração direta e cruzamento de fontes: o ex-árbitro Pasquale De Meo relatou à AGI a existência de um suposto código Rocchi composto por gestos — inspirado na morra chinesa, o conhecido "pugno, carta, forbice" — utilizado para comunicar instruções a partir da vetrata da Sala Var Lissone aos operadores do VAR.

Segundo De Meo, os sinais eram praticados e “decididos nos raduni riservati degli arbitri” e reapresentados semanalmente. "Havia gestos combinados; um deles era o do 'pugno-carta-forbice'", disse o ex-árbitro, que classificou a prática como algo que "todos sabiam e viviam com malumore" no ambiente.

O relato aponta que, do lado de fora da cabine do VAR, figuras como o designador auto-suspenso Gianluca Rocchi e o supervisor do VAR Andrea Gervasoni — entre outros — teriam usado a vetrata como meio para transmitir correções às decisões dos árbitros auxiliares do vídeo. "Fare dei gesti dalle vetrate era uma consuetudine", afirmou De Meo, que não integrava a equipe de assistentes do VAR, mas conhecia a prática por inteiro.

Do ponto de vista do protocolo, esse tipo de intervenção é expressamente proibido: os VAR e os AVAR são designados para atuar sem interferência externa. De Meo ressaltou a contradição: "Se em algumas partidas aparecia o 'pugno-mano-forbice' e em outras não, o campeonato era falsato". A observação reforça a preocupação com a integridade das decisões e com a igualdade de tratamento entre jogos.

Em termos de motivação, De Meo sustenta uma hipótese: não se trataria necessariamente de favorecer equipes específicas, mas sim de proteger carreiras de determinados árbitros, já que um erro não corrigido impactava negativamente a pontuação e, por consequência, a progressão profissional. Trata-se, porém, de uma conjectura apresentada pelo ex-árbitro.

De Meo, afastado da arbitragem há dois anos, traça paralelo com casos anteriores. "A minha história assomiglia a quella di Domenico Rocca", afirmou, lembrando que também teve um expediente arquivado pelo procurador federal Giuseppe Chinè. A denúncia inicial mencionava nomes como Gianluca Rocchi e Daniele Orsato, mas acabou arquivada pelas instâncias esportivas.

Apesar do arquivamento prévio, De Meo declarou: "Hoje não tenho nada para festejar, mas estou contente que uma Procura ordinária tenha intervenido e que haverá um julgamento imparcial por um órgão super partes sobre o que ocorria". A intervenção da Justiça comum sinaliza que o caso sai do âmbito exclusivamente desportivo e passa a ser examinado sob a ótica penal ou administrativa mais ampla.

O episódio reabre o debate sobre transparência e procedimentos no uso do VAR e sobre a necessidade de controles independentes que garantam a lisura dos mecanismos de revisão das partidas. A investigação em curso deverá apurar a extensão das práticas relatadas, identificar responsáveis e estabelecer se houve consequências competitivas significativas no campeonato.

Continuarei acompanhando o desdobrar das apurações e o posicionamento das instâncias esportivas e judiciais. Apuração in loco, cruzamento de fontes e exposição dos fatos brutos permanecem como critérios centrais desta cobertura.