Crans-Montana: Jacques Moretti é ouvido em Sion e recusa perguntas sobre lavagem de dinheiro
Jacques Moretti foi ouvido em Sion sobre o incêndio do Constellation; recusou-se a responder sobre suspeitas de lavagem de dinheiro.
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Crans-Montana: Jacques Moretti é ouvido em Sion e recusa perguntas sobre lavagem de dinheiro
Em nova audiência realizada hoje em Sion, Jacques Moretti, proprietário do Constellation, compareceu para interrogatório no campus Energypolis no âmbito do inquérito sobre o incêndio em Crans-Montana. A chegada foi discreta: Moretti entrou em um furgão celado, evitando contato com câmeras e com parentes das vítimas. A apuração em campo e o cruzamento de fontes mostram que a audiência deveria ter sido um confronto direto com a esposa, Jessica Moretti, como ocorreu em 5 de junho, mas a procuradoria adiou a participação dela para 2 de dezembro devido a um quadro de "fragilidade psíquica particularmente grave".
Desde meados de agosto, Jacques Moretti está em detenção preventiva sob acusação de violência doméstica contra Jessica Moretti. Hoje, pela primeira vez, estiveram presentes na sessão diversos sobreviventes e familiares das vítimas, assistidos por advogados de partes civis que buscam esclarecimentos precisos sobre a dinâmica do incêndio. O balanço oficial da tragédia permanece: 41 mortos e 115 feridos.
O proprietário do Constellation é uma das 17 pessoas investigadas no processo. Além do casal Moretti, o inquérito envolve oito políticos — entre atuais e ex-membros do município de Crans-Montana e do extinto Comune di Chermignon — e sete funcionários ou ex-funcionários municipais. Para os principais investigados constam acusações de omicídio culposo, lesões culposas e incêndio culposo. Desde o início de junho, pesa ainda sobre Jessica Moretti a imputação de falsidade documental.
Em comunicação oficial dirigida à procuradoria, o advogado de defesa de Moretti, Patrick Michod, afirmou que o dono do Constellation não responderá a questionamentos das partes civis sobre eventuais episódios de lavagem de dinheiro. Esse arco de investigação foi aberto separadamente pelos investigadores. No dossiê consta um relatório da Fedpol que aponta movimentos bancários considerados "anômalos" e "transações opacas" em contas ligadas ao processo.
Em termos de procedimento, a decisão de silêncio sobre questões financeiras decorre de uma estratégia de defesa formalizada nos autos. Do ponto de vista da investigação, contudo, a evidência documental referida no relatório federal impõe aprofundamento: transferências e operações que, segundo peritos, exigem rastreamento internacional e análise forense contábil.
Familiares e sobreviventes presentes no campus Energypolis reclamaram transparência e esclarecimento das lacunas ainda existentes na investigação. A posição da acusação aponta para o prosseguimento técnico do inquérito, com próximas diligências e a oitiva de outras testemunhas esperadas nas próximas semanas.
Esta reportagem baseia-se em apuração in loco, consulta aos autos públicos disponíveis e cruzamento de informações com representações legais e fontes judiciais. Mantemos o foco nos fatos brutos e no andamento processual, sem conjecturas: as linhas principais do processo — responsabilidades pelo incêndio, eventuais irregularidades financeiras e situação judicial do casal Moretti — seguem em desdobramento sob supervisão da procuradoria suíça.

