Dia Nacional Pcos-Pmos: Unfer (EGOI) alerta — «Não é só uma doença do ovário»

Unfer (EGOI) afirma que PCOS/PMOS é uma síndrome endócrino‑metabólica: não é só doença do ovário; diagnóstico precoce e abordagem multidisciplinar são essenciais.

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Dia Nacional Pcos-Pmos: Unfer (EGOI) alerta — «Não é só uma doença do ovário»

Por Giulliano Martini

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“É uma patologia complexa, multidisciplinar e progressiva”. Com essa definição direta, Vittorio Unfer, presidente do EGOI‑PCOS (The Experts’ Group on Inositol in Basic and Clinical Research and on Pcos‑Pmos), sintetiza o objetivo da primeira Giornata nazionale dedicada à síndrome do ovário policístico — recentemente renomeada de PCOS para PMOS (Polyendocrine Metabolic Ovarian Syndrome) — celebrada em 8 de outubro.

“Não podemos mais limitar a doença à observação ecográfica do ovário. Por trás do que chamamos de síndrome do ovário policístico existe um quadro muito mais amplo, que envolve metabolismo, endocrinologia e fertilidade e que, em determinadas condições, também atinge os homens”, declarou Unfer. O recado do especialista é técnico e direto: o ovário aparece hoje mais como vítima do que como protagonista da síndrome.

Dados consolidados indicam que a condição afeta cerca de uma em cada oito mulheres em idade reprodutiva. A mudança da sigla — de PCOS para PMOS — reflete a incorporação de evidências sobre a forte componente metabólica, em especial relacionada aos açúcares e à ação da insulina. “Existe uma componente metabólica muito importante, em particular ligada aos carboidratos e à resistência à insulina”, explicou Unfer, sublinhando a necessidade de reeditar a abordagem diagnóstica e terapêutica.

Na prática clínica, a proposta do grupo é deslocar o foco exclusivo do órgão para a síndrome como um distúrbio endócrino‑metabólico. Isso permite desenhar um caminho diagnóstico e terapêutico mais racional, com ênfase no diagnóstico precoce e na prevenção dos fatores de risco, medidas capazes de alterar a história natural da doença.

Unfer também destacou componente familiar e possível expressão masculina da síndrome. “Em famílias com uma jovem afetada, os irmãos podem apresentar os mesmos fatores de risco: maior probabilidade de desenvolver diabetes, doenças cardiometabólicas e resistência à insulina”, afirmou. Em conjunto com o professor Calogero, andrologista da Universidade de Catania, a equipe vem caracterizando manifestações masculinas que podem corresponder ao quadro feminino: alopecia androgenética acentuada, alterações na distribuição dos pelos e problemas de fertilidade, incluindo oligospermia — análogo funcional à anovulação crônica observada em mulheres.

Do ponto de vista clínico, Unfer alertou para sinais que merecem atenção precoce: persistência, após a fase fisiológica inicial pós‑menarca, de irregularidades menstruais relevantes — ciclos muito espaçados ou períodos prolongados de amenorreia — especialmente quando acompanhados por sinais de hiperandrogenismo. Nesses casos, a investigação deve ser antecipada e integrada, cruzando endocrinologia, metabolismo e cuidados reprodutivos.

O lançamento da Giornata nazionale Pcos‑Pmos tem a função clara de sensibilizar tanto as pacientes quanto os profissionais de saúde para a necessidade de uma visão multidisciplinar e preventiva. A mensagem é técnica e objetiva: reconhecer cedo, prevenir fatores de risco e tratar de modo coordenado pode mudar a trajetória clínica e reduzir as consequências metabólicas e reprodutivas da síndrome.

Apuração in loco e cruzamento de fontes: o recado de especialistas como Unfer é para tratar a condição pela sua verdadeira natureza — uma síndrome endócrino‑metabólica, não apenas uma anormalidade ovariana visível ao ultrassom.

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