Confetra alerta: desconto na bomba prejudica autotransportadores; diesel extra-rede sai mais caro

Confetra alerta que desconto nas bombas não chega ao diesel extra-rede: autotransportadores enfrentam custos mais altos e distorção concorrencial.

Confetra alerta: desconto na bomba prejudica autotransportadores; diesel extra-rede sai mais caro

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Confetra alerta: desconto na bomba prejudica autotransportadores; diesel extra-rede sai mais caro

Por Giulliano Martini — A Confetra (Confederação Geral Italiana dos Transportes e da Logística) lançou um alerta técnico e preciso após a adoção de descontos aplicados por algumas petrolíferas nos preços dos combustíveis nas bombas. A entidade aponta que, para as empresas de transporte rodoviário, o benefício anunciado não chega aos depósitos internos: o chamado diesel extra-rede pode custar hoje mais do que o abastecimento direto na estação de serviço.

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Em entrevista exclusiva à Espresso Italia, Cristiana Marrone, dirigente da área de tributos e alfândega da Confetra, detalhou a apuração: "Para os autotransportadores, além do prejuízo já causado pelo aumento do diesel nos últimos meses, há agora uma distorção adicional. Muitas empresas que possuem depósitos próprios de combustível — e que operam com contratos de fornecimento 'extra-rede' com companhias como Eni e Q8 — não conseguem usufruir dos descontos aplicados apenas nas bombas. Em alguns casos, mesmo pagando com cartões de combustível do mesmo circuito, não se obtém o abatimento".

A análise técnica da Confetra aponta duas frentes de impacto. Primeiro, o efeito direto nos custos operacionais: o custo do combustível representa quase 30% dos custos de exploração das empresas de transporte rodoviário, segundo Marrone. Segundo, uma distorção concorrencial provocada pela aplicação seletiva do desconto: quem abastece na bomba é atendido pelo mecanismo de redução; quem trabalha com contratos de fornecimento para depósitos próprios fica de fora e, em alguns relatos, enfrenta até reajustes negativos nos termos contratuais.

Fontes empresariais ouvidas pela Confetra e cruzadas na apuração indicam que os contratos de diesel extra-rede passaram a ser renegociados com maior frequência. "Antigamente havia contratos com duração mais longa e preços estáveis. Agora, conforme as empresas nos comunicam, o preço e as condições mudam a cada fornecimento — muitas vezes mensalmente — o que pressiona o caixa de empresas que mantêm cisternas em seus depósitos", explicou Marrone.

Do ponto de vista setorial, a Confetra reconhece que as medidas governamentais adotadas até o momento foram recebidas com aprovação, mas ressalva que elas não são suficientes para cobrir todos os sobrecustos recentes. "Todas as medidas anunciadas pelo governo foram bem-vindas, embora não cubram integralmente os custos extraordinários. No entanto, a iniciativa comercial das petrolíferas cria, a nosso ver, novas distorções concorrenciais", disse a dirigente.

Na prática, o cenário descrito pela Confetra pode agravar a fragilidade financeira de pequenas e médias empresas de transporte, que tradicionalmente operam com margens ajustadas e dependem de previsibilidade nos custos do combustível. O cruzamento de fontes confirma relatos de empresários que terão de rever orçamentos e cronogramas por causa das flutuações contratuais e da impossibilidade de acessar os descontos de bomba.

Conclusão provisória da apuração: o anúncio público de descontos nas bombas, embora positivo para o consumidor final, não equilibra os custos do setor profissional. A realidade traduzida em indicadores de custo e nas comunicações empresariais aponta para um novo desafio operacional — e para uma necessidade de medidas regulatórias ou contratuais que restaurem previsibilidade e concorrência justa no fornecimento de combustíveis para o transporte rodoviário.

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