Creator economy na Itália alcança €425 milhões em 2026; empresas priorizam ética e qualidade
Mercado italiano da creator economy cresce 10,4% em 2026 e deve atingir €425 milhões; empresas priorizam ética, qualidade e IA nas estratégias.
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Creator economy na Itália alcança €425 milhões em 2026; empresas priorizam ética e qualidade
Apuração em Roma — O mercado italiano da creator economy registrou um crescimento de 10,4% em 2026 e deve atingir um volume total de aproximadamente 425 milhões de euros até o final do ano, segundo o relatório “Il futuro dell’influencer marketing: prospettive 2026/2027”, elaborado pela Kolsquare em parceria com a B2B International. A informação foi confirmada em entrevista concedida por Greta Pelizzari, field marketing manager da Kolsquare Italia, ao Espresso Italia/Labitalia.
O estudo analisou um painel de 1.123 empresas distribuídas por sete mercados estratégicos (França, Alemanha, Itália, Espanha, Reino Unido, Países Nórdicos e Benelux) e 15 setores industriais. A amostra inclui organizações de diferentes portes: micro e pequenas empresas (menos de 50 empregados) representam 16,6% do total, enquanto empresas com mais de mil colaboradores correspondem a 17% da amostra. O cruzamento de dados aponta que 88% das empresas pretendem ainda aumentar os investimentos em marketing de influência em 2027.
Para administrar a crescente complexidade das campanhas, oito em cada dez empresas já adotaram automações e soluções de inteligência artificial (IA). Esta adoção tecnológica tem objetivo duplo: otimizar a seleção de creators e aprimorar a mensuração do retorno sobre investimento.
Entre as tendências que reconfiguram as estratégias corporativas, destaca-se a centralidade de critérios éticos e de qualidade editorial. Quase seis em dez marcas exigem que os parceiros respeitem códigos de conduta, priorizando a preservação da integridade da marca. Há também um movimento claro em direção a parcerias de médio e longo prazo com micro-influenciadores, em detrimento do patrocínio a celebridades com grandes massas de seguidores. Essa opção busca atingir comunidades menores, porém mais engajadas e capazes de gerar conversões mais consistentes.
No mapa de plataformas, Instagram, TikTok e YouTube mantêm a liderança de uso pelas marcas, seguidos por Facebook. Observa-se, no entanto, crescimento expressivo de LinkedIn e WhatsApp como canais capazes de fomentar interações mais profundas e relações de longo prazo com públicos segmentados.
Quanto aos orçamentos, o relatório revela que 89% das empresas planejam elevar os investimentos nos próximos 12 meses. Seis em cada dez já destinam mais de 100.000 euros por ano para iniciativas com creators, e 36% aplicam mais de 200.000 euros anuais. Apenas 2% declaram intenção de reduzir os volumes. A mediana de gasto atual em influencer marketing é de 144.000 euros, com variação conforme o porte:
- Empresas com menos de 50 empregados: média de 52.000 euros;
- Empresas médias (100–500 empregados): média de 137.000 euros;
- Grandes empresas (até 1.000 empregados): média de 312.000 euros;
- Organizações maiores (acima de 1.000 empregados): média de 367.000 euros.
Os dados compilados pelo estudo confirmam uma transição rumo a um ecossistema mais profissionalizado e regulado, onde a ética e a qualidade do conteúdo funcionam como filtros essenciais para a seleção de parceiros. A internalização de processos via tecnologias também indica menor dependência de intermediários e maior foco em métricas objetivas.
Minha apuração cruzou os números do relatório com a fala institucional da Kolsquare e com o panorama geral do setor: o resultado é um raio-x que confirma a maturidade crescente do mercado europeu de creators, com a Itália posicionada entre os mercados que mais aceleram investimentos e profissionalizam práticas. Fatos brutos e verificados — sem ruído interpretativo — apontam para um 2027 em que o marketing de influência será medido por critérios de sustentabilidade reputacional, eficiência de gastos e capacidade de construir comunidades duradouras.

