Itália é a última da UE em taxa de ocupação: 67,6% e 12,3 milhões de inativos, aponta estudo

Estudo do Talents Venture aponta Itália em último lugar na UE: taxa de ocupação 67,6%, 12,3 milhões de inativos e gap salarial frente à Alemanha.

Itália é a última da UE em taxa de ocupação: 67,6% e 12,3 milhões de inativos, aponta estudo

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Itália é a última da UE em taxa de ocupação: 67,6% e 12,3 milhões de inativos, aponta estudo

Por Giulliano Martini — Em apuração com base na análise do Osservatorio Talents Venture, a Itália registra, no primeiro trimestre de 2026, um quadro laboral que a coloca no extremo oposto das principais economias europeias. A pesquisa, à qual a redação teve acesso, mostra que o país contabilizou 24,2 milhões de ocupados, mas mantinha 12,3 milhões de pessoas inativas — resultado que determina uma taxa de ocupação (20-64 anos) de 67,6%, a mais baixa entre os 27 membros da União Europeia.

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O indicador italiano contrasta com a média da UE, de 76,1%, e com a Alemanha, que registra 81,1%. O recorte por gênero amplia o fosso: apenas 58,0% das mulheres italianas estão ocupadas — 13 pontos abaixo da média europeia e quase 20 pontos abaixo do nível observado na Alemanha — enquanto os homens apresentam uma taxa de 77,1% (contra 80,9% na UE).

O relatório detalha ainda a composição das ocupações por grau de qualificação. As profissões de alta qualificação (dirigentes, profissões intelectuais e técnicas) representam 37,0% do total de empregos na Itália, posicionando o país no quartúltimo lugar entre os Estados-membros, à frente apenas de Romênia, Grécia e Espanha. O país acumula um déficit estimado em 1,8 milhão de postos qualificados quando comparado à média europeia, de 44,7%.

Na avaliação sobre remunerações ajustadas ao custo de vida — métrica que revela o poder de compra real dos salários — a Itália também fica atrás da média comunitária. A retribuição horária mediana no país é de 13,60 euros, valor inferior ao observado em França (15,48) e Alemanha (17,33), e distante dos patamares de Dinamarca (22,39) e Bélgica (21,30).

O diagnóstico do Observatório atribui parte do atraso à persistência de um volume elevado de indivíduos fora da força de trabalho. Embora o indicador tenha melhorado em relação a anos anteriores, em 2025 havia ainda 12,37 milhões de inativos entre 15 e 64 anos — número que, apesar de ter recuado em relação a 2019 (quando ultrapassava 13 milhões), mantém a Itália com a proporção mais alta de inativos na população em idade laboral: 33,3%.

Os dados, divulgados às vésperas da Giornata mondiale del lavoro dignitoso, convocam a atenção para a necessidade de políticas públicas que estimulem a participação laboral, reduzam disparidades de gênero e favoreçam a qualificação profissional. O retrato traçado pelo estudo é técnico e direto: sem aumento sustentado da participação no mercado de trabalho e sem recuperação dos salários em termos reais, a convergência com as economias líderes da UE permanecerá difícil.

Metodologia e fontes: análise do Osservatorio Talents Venture, com dados referentes ao 1º trimestre de 2026 e recorte demográfico 20-64 anos; comparação com médias e indicadores oficiais da União Europeia e economias selecionadas. Apuração in loco e cruzamento de fontes para verificação dos números apresentados.

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