Transparência salarial impulsiona mulheres em cargos de liderança, diz Michael Page

Michael Page destaca aumento de mulheres na liderança e defende transparência salarial para reduzir o gender pay gap e atrair talentos.

Transparência salarial impulsiona mulheres em cargos de liderança, diz Michael Page

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Transparência salarial impulsiona mulheres em cargos de liderança, diz Michael Page

Evento sobre transparência salarial e igualdade de gênero reuniu especialistas que pedem ações concretas para reduzir o gender pay gap. "Uma maior participação feminina no mercado de trabalho pode gerar impacto positivo significativo na produtividade e na competitividade das empresas. Nos últimos dez anos há sinais de mudança, inclusive em posições de liderança, mas é fundamental continuar a investir nessa direção", afirmou Tomaso Mainini, CEO da Michael Page, líder internacional em recrutamento especializado.

Apesar dos progressos em termos de presença feminina em cargos de responsabilidade, o divisor salarial de gênero permanece um problema estrutural. Dados do World Economic Forum mostram que, entre 2015 e 2024, a presença de mulheres no top management subiu de 31,5% para 33,4%. Um avanço, mas ainda tímido: desde 2020, a diferença entre a presença feminina no middle e no top management permanece em 5%, mantendo disparidades salariais ao longo da carreira.

Na prática, prometer inclusão não basta. As empresas precisam mapear e mitigar práticas, inclusive indiretas, que alimentam o gender pay gap. "Nossa pesquisa Talent Trends revela que 9% dos entrevistados relataram ter se sentido discriminados nos últimos 12 meses por idade ou gênero. Esse efeito vai além do indivíduo e afeta clima, performance e retenção de talentos. A transparência salarial não exige divulgação de salários individuais, mas a adoção de critérios retributivos objetivos, neutros e verificáveis, capazes de transformar uma obrigação normativa em alavanca de confiança e competitividade", explicou Tomaso Mainini.

Para Giampiero Falasca, partner do DLA Piper, a diretiva (UE) 2023/970 sobre transparência retributiva e seu decreto de implementação representam uma oportunidade substancial para empresas italianas. "Não se trata apenas de novos deveres formais, mas de uma mudança estrutural que impacta organização do trabalho, sistemas de classificação e políticas salariais, tornando mais claros os critérios de atribuição de remunerações e progressões de carreira. A transparência será um fator de competitividade, inclusive em atração e retenção de talentos", avaliou Falasca.

No interior da própria Michael Page, a presença feminina é consolidada e mensurável. "Nossos dados mostram forte representação feminina em funções core (76%), expert (65%), manager (58%) e expert leader (80%), inclusive em posições apicais. Mantemos investimentos contínuos no desenvolvimento de mulheres, promovendo liderança, visibilidade e participação nos processos decisórios", detalhou Mainini.

O debate trouxe à tona a necessidade de medidas verificáveis — auditorias salariais, critérios públicos de progressão e políticas de RH alinhadas com a legislação europeia — e reafirmou a leitura in loco dos indicadores. O cenário desenhado pelo cruzamento de fontes indica progresso, mas também a urgência de transformar normas em práticas cotidianas que reduzam o gender pay gap de forma sustentável.