Marmigi (Safety Expo): prevenção de infortúnios deve integrar o processo decisório das empresas
Marmigi (Safety Expo): integrar a prevenção ao processo decisório das empresas é essencial para reduzir infortúnios no trabalho.
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Marmigi (Safety Expo): prevenção de infortúnios deve integrar o processo decisório das empresas
Por Giulliano Martini — Em declaração técnica para o Safety Expo, o diretor Daniele Marmigi afirmou que a resposta aos acidentes de trabalho não pode se resumir a normas e multas. Segundo Marmigi, o enfrentamento do problema exige transformação cultural e inclusão da prevenção no processo decisório cotidiano das empresas.
Na sua avaliação, medidas punitivas e controles são ferramentas necessárias, porém insuficientes para remover as raízes dos eventos lesivos. A maioria das causas profundas dos acidentes está ligada à organização do trabalho, aos processos decisórios e à capacidade das empresas de gerir mudanças. Esse quadro é particularmente sensível em econonomias como a nossa, dominadas por PMEs, onde decisões relevantes para a segurança — da compra de uma máquina à alteração de uma operação, da entrada de um novo fornecedor à terceirização de uma atividade — são tomadas com rapidez e sem processos formalizados.
O desafio apontado por Marmigi é traduzir para as pequenas e médias empresas ferramentas organizacionais simples, proporcionais e efetivas, evitando impor modelos criados para organizações de grande porte que acabariam por gerar mais burocracia do que proteção. A essência da proposta é clara: a prevenção deve ser considerada desde o desenho de uma tarefa ou no momento em que um processo é alterado. Avaliações de risco conduzidas apenas a posteriori tendem a se transformar em mero cumprimento formal.
Além disso, o diretor técnico do evento ressaltou a necessidade de superar uma visão estritamente documental da segurança. É preciso uma prevenção substancial, que observe o que efetivamente ocorre no chão de fábrica e capture os sinais que antecedem um acidente. Isso passa por atenção reforçada na gestão de contratos e aprestação de serviços, na manutenção, nas mudanças organizacionais e na análise de near miss, episódios que oferecem oportunidade de intervenção antes que ocorra dano mais grave.
O mesmo rigor deve ser aplicado ao campo da formação e do adestramento: ter um certificado de presença não basta. É necessário verificar se o trabalhador adquiriu a capacidade de identificar o perigo e de adotar o comportamento adequado nas condições reais de trabalho. A medição da eficácia da capacitação exige observação em contexto produtivo e indicadores que confirmem a transferência do treinamento para a prática.
Em síntese, Marmigi propõe um salto de qualidade de natureza cultural e organizacional: integrar a prevenção na rotina decisória das empresas, dotar as PMEs de instrumentos práticos e acessíveis e promover uma abordagem baseada em evidências e em sinais de alerta — e não apenas em documentos e conformidades formais. Essa é, segundo ele, a via para reduzir a gravidade e a letalidade dos acidentes de trabalho no país.
O Safety Expo, evento gratuito de referência na Itália para saúde e segurança no trabalho e prevenção de incêndios, reforça com essas diretrizes a necessidade de políticas e práticas que considerem a complexidade organizacional e a realidade operacional das empresas.

