Procuradoria aponta motivo sexual e crueldade: Sempio acusado por morte de Chiara Poggi em Garlasco

Procuradoria de Pavia acusa Andrea Sempio de matar Chiara Poggi com motivo sexual e crueldade; convocação para 6 de maio e possível pena de prisão perpétua.

Procuradoria aponta motivo sexual e crueldade: Sempio acusado por morte de Chiara Poggi em Garlasco

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Procuradoria aponta motivo sexual e crueldade: Sempio acusado por morte de Chiara Poggi em Garlasco

Por Giulliano Martini. A Procuradoria de Pavia reapareceu no caso que marcou Garlasco ao atualizar o quadro acusatório contra Andrea Sempio, apontado pelos magistrados como autor único do homicídio de Chiara Poggi. No novo capô de imputação, os promotores descrevem o crime como cometido com a agravante de motivos abjetos, vinculados ao ódio da vítima após o suposto rejeitamento de uma abordagem sexual.

O documento, assinado pela equipe do procurador Fabio Napoleone, convoca Sempio para prestar esclarecimentos em 6 de maio. É a segunda convocação formal dirigida ao investigado: em 20 de maio de 2025 ele foi chamado pela primeira vez e, orientado por sua defesa, optou por não comparecer.

Segundo a investigação, Sempio, hoje com 38 anos, teria agido sozinho, sem concurso de terceiros nem a participação de Alberto Stasi. A mudança no teor da imputação — que passa a explicitar o elemento volitivo ligado ao desprezo sexual — acompanha a remessa de um'informativa à Procuradoria Generale de Milano, considerada útil para eventual pedido de revisão do processo que condenou em definitivo, a 16 anos, o então namorado da vítima.

Em paralelo ao teor probatório trazido pela acusação, a defesa de Sempio, constituída pelos advogados Angela Taccia e Liborio Cataliotti, rejeita a leitura de um motivo sexual. "Ele não se conforma com esse motivo sexual — diz a advogada Taccia. — Ele me diz: se eu não manteneva rapporti com questa ragazza... non la frequentavo, non la vedevo spesso. Quando andava a casa, Chiara estava al lavoro." A defesa sustenta ainda que, desde o início, a estratégia foi demonstrar que o crime teria sido cometido por um único autor.

Os procuradores imputam também a agravante da crudeltà. Em conjunto, as duas qualificadoras podem levar, em eventual processo e em caso de condenação, à pena de ergastolo (cadeia perpétua).

Na reconstituição da dinâmica constante no capo di imputazione, os magistrados relatam que, após uma colluttazione inicial, Sempio teria golpeado repetidamente Chiara com um corpo contundente: colpi nella regione frontale sinistra e nella regione zigomatica destra, facendola cadere a terra. A seguir, a trascinava verso la porta della cantina; lei tentava reagire mettendosi carponi, ma veniva colpita nuovamente con almeno tre-quattro colpi nelle regioni parieto-temporali e parietali, fino al totale collasso. No conjunto acusatório, os promotores chegam a afirmar que a jovem foi ferida "dozens" de vezes, sendo descrito o total de doze golpes graves que marcaram o ataque.

Os fatos referem-se ao homicídio ocorrido em 13 de agosto de 2007, quando Chiara tinha 26 anos. A investigação atual prossegue na procura por elementos que corroborem a nova tipificação do motivo. A convocação de 6 de maio será determinante para que a acusação tente confrontar o investigado com as conclusões técnicas e periciais reunidas até agora.

Trata-se de um desenvolvimento relevante num processo que já mobilizou décadas de apurações, recursos e pedidos de revisão. A linha adotada pela Procuradoria de Pavia — explicitar o caráter sexual do movente e a crueldade do método — reforça a hipótese prosecutória de homicídio com qualificadoras que aumentam, substancialmente, o núcelo de pena possível em eventual julgamento.

Apuração in loco, cruzamento de fontes e análise técnica seguem como pilares desta cobertura. A Espresso Italia acompanhará a oitiva marcada para 6 de maio e trará os documentos oficiais assim que disponibilizados pela Justiça.