Laudo aponta que Abderrahim Fakir morreu por falta de oxigênio durante intervenção policial em Bolonha
Laudo indica que Abderrahim Fakir morreu por hipóxia enquanto estava em posição prona durante ação policial em Bolonha; cocaína não foi concausa.
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Laudo aponta que Abderrahim Fakir morreu por falta de oxigênio durante intervenção policial em Bolonha
Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes. A investigação sobre a morte de Abderrahim Fakir, 42 anos, durante uma intervenção policial no bairro Pilastro, em Bolonha, registra avanço técnico: segundo a defesa da família, a vítima faleceu por falta de oxigênio, em quadro idêntico ao verificado no caso de Riccardo Magherini.
O dado foi apresentado pelo advogado Fabio Anselmo ao término do encontro entre as partes e os consultores da promotoria, no âmbito das diligências instauradas após o episódio ocorrido em 19 de julho. Anselmo informou que o laudo indicou “hipóxia por insuficiência respiratória aguda em sujeito em posição prona”, expressão técnica que descreve a privação de oxigênio — e não, segundo ele, efeitos tóxicos — como causa direta do óbito.
“A cocaína não é nem uma concausa”, afirmou o advogado, citando conclusões apresentadas pelos peritos. A declaração resgata a comparação com a morte de Magherini, cujo falecimento em contexto de contenção policial gerou prolongado debate público e judicial na Itália. No caso de Fakir, a versão oficial divulgada até então será confrontada com o laudo pericial entregue à promotoria.
O encontro entre as partes e os consultores da promotoria — etapa rotineira em inquéritos que envolvem mortes em policiamento — teve caráter técnico e visou esclarecer causas médicas e circunstâncias do evento. Fontes envolvidas no procedimento confirmaram que o material pericial será integrado ao inquérito para subsidiar eventuais medidas judiciais e decisões sobre responsabilidade.
Do ponto de vista processual, a determinação de hipóxia por posição prona tende a focalizar a análise nas circunstâncias da contenção física e nos procedimentos adotados durante o atendimento. Investigadores e peritos irão confrontar registros de vídeo, depoimentos e relatórios médicos para estabelecer cadeia causal precisa entre a intervenção policial e o desfecho fatal.
Em respeito à investigação em curso, autoridades não divulgaram, até o momento, detalhes adicionais sobre os elementos do laudo ou possíveis desdobramentos imediatos. A defesa familiar, por seu turno, já adiantou que pretende acompanhar de perto todos os passos processuais e que esse laudo reforça a tese de que a morte ocorreu por privação de oxigênio enquanto Fakir estava imobilizado.
O episódio reacende discussões técnicas e jurídicas sobre métodos de contenção e protocolos de atuação policial em situações de risco e com cidadãos em sofrimento agudo. A promotoria prossegue com as diligências e deverá integrar os resultados das avaliações médicas às demais provas coletadas, para então definir encaminhamentos judiciais.
Este é um relato estritamente baseado em fatos e em comunicações oficiais e da defesa; a apuração segue em curso e novas informações serão compiladas à medida que sejam formalmente disponibilizadas pelas autoridades competentes.

