Advogados em confronto sobre causa da morte de Abderrahim Fakir: droga ou posição prona?
Advogados divergem na causa da morte de Abderrahim Fakir: defesa aponta cocaína; família responsabiliza posição prona e falta de socorro médico.
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Advogados em confronto sobre causa da morte de Abderrahim Fakir: droga ou posição prona?
Em nova fase do inquérito sobre a morte de Abderrahim Fakir, ocorrida em 19 de julho no bairro Pilastro, em Bologna, advogados das partes apresentam versões opostas sobre a causa do óbito enquanto a investigação da Procura de Bologna segue em curso.
O advogado dos dois policiais inscritos no procedimento, Gabriele Bordoni, afirmou em declaração à ANSA que a causa central da morte foi a hipóxia decorrente de um quadro de uso excessivo de cocaína. Segundo Bordoni, apoiando-se no laudo de seu perito, o médico legista Matteo Tudini, o exame apontou sangramento alveolar compatível com efeito tóxico da droga: "o sangramento nos pulmões não é fruto da compressão, é fruto do uso desenfreado de cocaína", disse o advogado, acrescentando que os níveis metabólicos encontrados seriam "três vezes superiores à dose letal".
Em contraponto, o advogado que representa a família de Fakir, Fabio Anselmo, defende outra leitura dos mesmos elementos. Em declarações à La Presse, Anselmo sustentou que a morte foi causada por hipóxia determinada pela posição prona mantida durante a intervenção policial, somada ao aumento do consumo de oxigênio provocado pela cocaína e pelo estado de agitação. "A cocaína não é uma concausa", afirmou, citando jurisprudência (sentença Magrini) para sublinhar que, embora a droga e a agitação tenham aumentado a demanda de oxigênio, o que efetivamente tirou o oxigênio foi o fato de Fakir ter sido mantido em posição prona pelos agentes.
As duas visões divergem sobre a interação entre fatores tóxicos e mecânicos: enquanto a defesa dos policiais atribui o núcleo do óbito ao dano pulmonar por droga, a defesa da família aponta o papel determinante da restrição física na redução do aporte de oxigênio.
Além dessa disputa técnica, surgiram críticas ao atendimento médico no local. Fontes indicam que os peritos da família questionaram a atuação dos socorristas, em especial por não terem solicitado a presença imediata de um médico quando Fakir se encontrava em estado de agitação. Esses pontos constarão dos exames complementares e dos laudos que a Procuradoria deve reunir para elucidar a dinâmica do falecimento.
Os autos em Bologna permanecem abertos e dependem de cruzamento de exames toxicológicos, laudos anatomopatológicos e reconstruções da sequência dos fatos para confirmar se a morte se deveu primordialmente a uma lesão pulmonar induzida por substância tóxica, à privação de oxigênio associada à posição prona, ou a uma combinação complexa de fatores concomitantes. As partes anunciam novos pareceres periciais e a expectativa é que os resultados subsidiem a decisão do Ministério Público.
Apuração in loco, cruzamento de fontes e avaliação técnica dos laudos médicos permanecem essenciais para que a investigação traduza a realidade dos fatos sem ruídos ou especulações.

