Perícia conclui que El Koudri estava apto a responder por ataque de carro em Modena
Perícia diz que El Koudri estava apto a responder pelo ataque de carro em Modena; laudo aponta planejamento, mas sem incapacidade mental absoluta.
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Perícia conclui que El Koudri estava apto a responder por ataque de carro em Modena
Apuração in loco e cruzamento de fontes técnicas levam à conclusão dos peritos: El Koudri, responsável pelo episódio ocorrido em 16 de maio em Modena, quando atropelou uma multidão com seu carro — causando a morte de uma das vítimas e ferindo várias outras — estava capaz de entender e de querer no momento dos fatos e é apto a responder penalmente pelo processo.
É o que consta no laudo apresentado pelos especialistas nomeados pelo juiz das investigações preliminares durante o incidente probatório realizado em sessão fechada no tribunal de Modena, com duração aproximada de três horas. Na audiência, pela primeira vez desde o ataque, o réu encontrou-se em juízo diante de algumas das pessoas atingidas. Estavam presentes Angelo Ciccarelli, marido de Monica Esposito — a vítima que veio a falecer após dois meses de internação — e o chef Hermano Muccini, ambos feridos no episódio.
Os peritos registraram sinais de planejamento prévio da ação e descreveram o acusado como portador de uma condição de fragilidade narcisística, movida por sentimentos de ódio, raiva e vontade de revanche. Ainda assim, segundo o laudo, esses elementos psicológicos não teriam tido intensidade suficiente para anular a capacidade do indivíduo de compreender o significado de seus atos nem para privá‑lo da autodeterminação.
O relatório reconhece antecedentes de problemas psiquiátricos, confirmados por acessos anteriores aos serviços de saúde mental. No entanto, os especialistas técnicos concluíram que tais distúrbios, embora presentes, não alcançaram um grau de comprometimento que explicasse ou determinasse a conduta violentíssima observada naquele dia.
Um ponto analisado com atenção pelos peritos foram quatro vídeos gravados por El Koudri nas horas anteriores ao atropelamento. Os especialistas avaliaram que a linguagem nesses registros se aproxima do estilo provocatório associado ao chamado "trap/diss" — uma forma de expressão musical e performática — e não constitui, por si só, prova de incapacidade mental.
A defesa apresentou pareceres contrários. Os consultores nomeados pelo advogado de defesa sustentam que um transtorno psiquiátrico significativo afetou a capacidade de entender e querer do acusado no momento do ato. O advogado Fausto Giannelli enfatizou que El Koudri conduziu normalmente o veículo até Modena, observando as regras de trânsito, para em seguida, segundo a narrativa da defesa, acelerar subitamente na via Emilia em um ato que seria um episódio de raptus ligado à patologia.
Permanece em aberto o debate sobre a motivação do ataque. A procuradoria, por ora, não imputa a agravante de terrorismo. Para a defesa, isso aponta que os investigadores não reconhecem um motivo terrorista, mas sim um quadro delirante. Em contrapartida, a advogada de parte civil Deborah De Cicco, que representa Giovanni Esposito, irmão da vítima falecida, argumenta que a perícia não aprofundou com suficiência a possível matriz ideológica do ato. Segundo ela, buscas na internet efetuadas pelo investigado e o material informático apreendido pelos investigadores indicariam elementos que merecem análise complementar quanto a uma possível conexão com extremismo.
O processo segue em fase instrutória. As conclusões periciais serão consideradas nas próximas decisões do juiz, que avaliará a necessidade de novas diligências, confrontos e perícias complementares. As partes civis mantêm pedidos por esclarecimentos adicionais sobre motivação e eventual vínculo ideológico, enquanto a defesa anuncia medidas técnicas em defesa da tese de incapacidade parcial.
Relato técnico, sem ruído interpretativo: a perícia entregou um raio‑x clínico e comportamental que, segundo os especialistas, não afasta a responsabilidade penal. A investigação continuará a cruzar fontes e a ouvir novos depoimentos para dilucidar o quadro probatório.

