Remuzzi: o “segredo” para viver 100 anos é ser mulher, aponta diretor do Mario Negri

Remuzzi diz que o “segredo” para viver 100 anos é ser mulher e lista fatores: alimentação, genética, movimento, ambiente e relação social.

Remuzzi: o “segredo” para viver 100 anos é ser mulher, aponta diretor do Mario Negri

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Remuzzi: o “segredo” para viver 100 anos é ser mulher, aponta diretor do Mario Negri

Por Giulliano Martini — Em entrevista ao programa La volta buona, exibido hoje na Raiuno e conduzido por Caterina Balivo, o professor Giuseppe Remuzzi, diretor do Istituto Mario Negri, fez um diagnóstico direto sobre fatores que favorecem a longevidade e explicou por que, nas estatísticas, as mulheres aparecem em muito maior número entre os mais velhos.

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Remuzzi destacou que, entre os que chegaram a 110 anos na Itália, 19 são registrados e 18 são mulheres. Daí a frase que dominou a conversa: "O segredo para viver 100 anos? É preciso ser mulher". Vale ressaltar que o cientista fez a observação com tom de constatação estatística e não como um conselho prescritivo — "eu falei de segredo, não de conselho", disse ele ao programa.

Na sequência, o pesquisador detalhou os elementos que influenciam a expectativa de vida. Ele identificou a alimentação inadequada — em especial o consumo de alimentos processados e ultraprocessados — como um fator prejudicial, embora reconheça que nem todo produto processado seja igualmente nocivo. "Hoje sabemos o que significa uma boa alimentação", afirmou, e lembrou que não se trata apenas do que se coloca no prato.

Remuzzi citou como exemplo o arquipélago grego, em particular a ilha de Icaria, onde estudos populacionais registraram uma incidência alta de idosos em bom estado de saúde. "Lá as pessoas comem o que plantam, trabalham a horta, não existem carros e o nível de estresse é baixo", explicou. Para o pesquisador, o conjunto formado por dieta, movimento e ambiente é decisivo.

Sobre a contribuição genética, Remuzzi foi preciso: a genética pode explicar entre 30% e 40% da variabilidade na longevidade, mas "não é tudo". Ele reforçou que fatores comportamentais e ambientais têm papel central e citou ainda a importância do bem-estar mental. "É preciso fazer o que nos dá prazer, porque o cérebro envia estímulos fundamentais", disse.

Outro ponto enfatizado foi a dimensão social. Para o diretor do Mario Negri, a relação social atua como determinante de saúde ao longo da vida: vínculos familiares, amizade, participação comunitária e até o cuidado com um animal de estimação produzem efeitos mensuráveis na qualidade e na duração da vida.

Concluindo a participação no programa, Remuzzi repetiu a observação estatística que encerra a reportagem: entre os supercentenários italianos, a predominância feminina é quase absoluta — 18 de 19 centenários com mais de 110 anos são mulheres — e, por isso, brincou que o "segredo" pode ser ser mulher. A declaração foi apresentada com o distanciamento típico do pesquisador, que tratou os dados como ponto de partida para análise, não como receita.

Apuração in loco e cruzamento de fontes: os dados sobre supercentenários referem-se a registros oficiais na Itália, citados pelo próprio pesquisador durante a entrevista. A realidade traduzida aqui aponta que políticas públicas voltadas à alimentação saudável, espaços urbanos que favoreçam o movimento, e o fortalecimento das redes sociais e comunitárias são caminhos concretos para impactar positivamente a longevidade da população.

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