La Traviata de Liliana Cavani retorna à Scala e celebra a 100ª apresentação

La Traviata de Liliana Cavani retorna à Scala com Michele Gamba e Nadine Sierra; produção celebra a 100ª apresentação em 2 de outubro.

La Traviata de Liliana Cavani retorna à Scala e celebra a 100ª apresentação

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La Traviata de Liliana Cavani retorna à Scala e celebra a 100ª apresentação

Assumindo o papel de espelho do nosso tempo, a imortal obra de Giuseppe Verdi retorna ao roteiro cultural milanês com um capítulo que é também uma celebração histórica. A montagem de La Traviata assinada por Liliana Cavani em 1990 volta ao palco do Teatro alla Scala em 12 récitas, de 19 de setembro a 15 de outubro, todas já esgotadas. Sob a batuta do maestro Michele Gamba, a produção alcançará, na noite de 2 de outubro, sua centésima representação – um marco que convida a um reframe da memória operística.

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Esta é a produção de La Traviata mais recorrente no cartaz scaligero: com a sessão de 26 de setembro, a ópera terá sido apresentada 300 vezes na Scala desde sua estreia naquele teatro em 1859 (recorde-se que a première absoluta ocorreu na Fenice em 1853). O encontro entre tradição e encenação contemporânea, aqui, funciona como um roteiro oculto que revela o lugar de Verdi na narrativa cultural europeia.

À frente da protagonista está a norte-americana Nadine Sierra, recebida com aplausos em importantes casas como o Metropolitan e já saudada na Itália em Florença, Verona e Roma. Sierra volta à Scala — onde foi ovacionada como Gilda em 2016 — para vestir a Violetta em noites centrais desta temporada. Nos dias 26 e 30 de setembro e 3, 8 e 12 de outubro, a protagonista será a jovem e promissora Francesca Pia Vitale, graduada pela Accademia Teatro alla Scala e em ascensão nos palcos internacionais.

O tenor Piero Pretti assume o papel de Alfredo nas primeiras noites, vindo de elogios como Edgardo em Lucia di Lammermoor; nas datas já citadas, quem canta Alfredo é Iván Ayón Rivas, que retorna à Scala após sua participação no Macbeth inaugural de 2021. O papel de Giorgio Germont ficará nas mãos de Boris Pinkhasovich, enquanto, nas noites de 30 de setembro, 3, 8 e 12 de outubro, assume Amartuvshin Enkhbat. Completa o elenco Francesco Pittari (Gastone), Fabrizio Beggi (Barone Douphol), Gianluca Failla (Marchese d'Obigny) e Xhieldo Hyseni (dottor Grenvil).

As cenas são do três vezes vencedor do Oscar Dante Ferretti e os figurinos da também premiada Gabriella Pescucci — parceria que confere à montagem um estatuto plástico e quase cinematográfico, uma verdadeira semiótica do viral em cena. A coreografia de Micha van Hoecke é interpretada pelo Corpo di Ballo do Teatro alla Scala, acrescentando camadas de movimento à narrativa vocal.

Para Michele Gamba, esta retomada marca os dez anos de seu debut scaligero e desenha um percurso artístico que passou por releituras importantes: do Rigoletto de 2022 (dirigido por Mario Martone) a Médée de Cherubini assinada por Damiano Michieletto em 2024, além de reviver produções de grande apelo com diretores como Davide Livermore. Gamba consolida, assim, sua posição de maestro que lê os clássicos como se fossem roteiros vivos, capazes de refletir — e transformar — o público contemporâneo.

No seu conjunto, a volta de La Traviata de Cavani à Scala é mais do que um evento de calendário: é um convite a revisitar o imaginário coletivo, a decifrar o que permanece e o que se reescreve quando uma montagem atinge a sua centésima noite. Um eco cultural que ressoa entre cenários, figurinos e vozes, lembrando que a ópera continua a ser, em sua essência, um grande espelho da nossa sociedade.

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