Bolsas seguem negativas, mas recuperam terreno; gás inverte trajetória e rendimentos sobem
Bolsas europeias operam negativas; gás recua e Brent sobe. Rendimentos sobem antes da decisão do Fed; BTP em 4,45%. Setores de defesa e energia sustentam Milão.
RESUMO ✦
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Bolsas seguem negativas, mas recuperam terreno; gás inverte trajetória e rendimentos sobem
As bolsas europeias operam em terreno negativo, embora apresentem uma recuperação em relação à abertura. Milão cai -0,24%, depois de ter chegado a recuar cerca de 1,5% no início do pregão. O índice italiano segue alinhado com Frankfurt, enquanto Londres e Paris mostram desempenho um pouco pior.
Em Milão há um movimento de compensação: os papéis do setor de defesa e da energia sustentam o mercado, amortecendo as perdas de bancos e industriais. Entre os destaques, Tenaris avança +1,69% e Leonardo lidera o FTSE MIB com alta de +2,01%. Avio também tem melhor desempenho (+0,75%), beneficiada pelo lançamento bem-sucedido do satélite Sentinel-3C e do satélite FLEX, ambos em missão para a ESA a bordo do foguete Vega C.
Na ponta negativa, o índice de bancos FTSE Italia All-Share Banks cai cerca de -0,90%. Entre os bancos, UniCredit recua -1,80% após o encontro do CEO Andrea Orcel com o ministro das Finanças alemão Lars Klingbeil, que reafirmou as expectativas do governo quanto ao futuro da Commerzbank: manter a estrutura de sociedade anônima listada em Frankfurt, continuar a forte atuação junto às PME e preservar a presença do Estado com dois representantes no conselho de supervisão.
No mercado de commodities, a pressão sobre o petróleo se mantém: o Brent ultrapassa os US$ 107 por barril, acumulando uma alta semanal superior a 9%. Em contraste, observa-se uma ligeira reversão no preço do gás, que abriu em cerca de €83/MWh e recua para pouco mais de €81/MWh. Essa virada pode ser atribuída à perspectiva, ainda que incipiente, de uma possível trégua nos bombardeios a infraestruturas energéticas entre Rússia e Ucrânia.
Os temores de uma aceleração da inflação mantêm a pressão ascendente sobre os rendimentos dos títulos públicos: o título norte-americano de 10 anos supera 5% (5,02%), nível máximo desde 2007. A reunião de política monetária do Fed tem sua conclusão prevista para amanhã, com probabilidades de 92% de um aumento de 25 pontos-base, segundo o FedWatch Tool do CME Group. Na curva italiana, o BTP ver registra 4,45%, um avanço de 45 pontos-base no último mês.
No front tecnológico, os papéis ligados a semicondutores, inteligência artificial e data centers sofreram forte venda: o índice SOX (Philadelphia Semiconductor Index) recuou -5,86% após apelos públicos de líderes da área — incluindo Anthropic, OpenAI e Elon Musk — para desacelerar o desenvolvimento da IA e mitigar riscos.
Na Ásia, os dados chineses mostram uma produção industrial em aceleração (+5,2%), enquanto o comércio varejista praticamente estagnou. O balanço regional foi em geral negativo: Tokyo fechou estável, Seul -0,85%, Shanghai -0,54% e Hong Kong -0,97%. Os futuros de Wall Street operam no vermelho na abertura.
Em resumo, o mercado global mostra sinais de recalibração: o motor da economia responde a combustíveis (petróleo e gás), à calibragem de juros e ao clima regulatório sobre tecnologia. Investidores seguem com atenção fina à decisão do Fed e a possíveis descompressões nas tensões energéticas entre Rússia e Ucrânia — fatores que atuam como freios ou aceleradores sobre a rotação setorial.

