Kerry James Marshall ganha primeira grande retrospectiva na França, no Musée d'Art Moderne de Paris
Primeira retrospectiva na França de Kerry James Marshall no Musée d'Art Moderne, com 70 obras e oito inéditas. Em Paris de 18/09/2026 a 24/01/2027.
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Kerry James Marshall ganha primeira grande retrospectiva na França, no Musée d'Art Moderne de Paris
Ciao, viajante sensível: há notícias que cheiram a tinta fresca e à luz dourada das tardes parisienses. O Musée d'Art Moderne de Paris inaugura, a partir de 18 de setembro de 2026, a primeira grande retrospectiva em França dedicada a Kerry James Marshall, o pintor afroamericano nascido em 1955 em Birmingham, Alabama. Curada em colaboração com a Royal Academy of Arts de Londres e a Kunsthaus de Zurique, a mostra permanecerá aberta até 24 de janeiro de 2027.
Andiamo: a exposição, intitulada The Histories, reúne cerca de sete dezenas de obras — entre telas históricas, desenhos e instalações — e inclui especificamente oito pinturas inéditas criadas por Marshall para contemplar as margens do Sena. É como se cada tela sussurrasse uma história coletiva, convidando-nos a saborear a história com todos os sentidos.
Conhecido por suas composições monumentais, Kerry James Marshall coloca as pessoas negras no centro da narrativa pictórica, transformando o cotidiano em imagem épica, sem recorrer à representação explícita da violência. Seus trabalhos dialogam com o cânone da história da arte ocidental — há ecos da pintura francesa do século XIX — e com as expressões visuais da cultura popular contemporânea. O resultado é uma estética poderosa e íntima que fala tanto de memória quanto de presente.
Os temas explorados por Marshall atravessam a travessia forçada dos africanos escravizados às Américas, bem como a herança das movimentações afro-americanas, como o movimento pelos direitos civis e o Black Power. Mas, com uma delicadeza única, o artista evita a espetacularização do sofrimento: prefere a sugestão, a evocação, a textura do tempo nas paredes e nos rostos que pinta.
Para nós, apaixonados pela Itália e pela hospitalidade sofisticada, há algo de profundamente mediterrâneo nessa reverência ao humano: é o gesto de parar para sentir, de transformar o olhar em cuidado. Em Paris, entre jardins e cafés, as novas telas de Marshall serão um convite ao Dolce Far Niente intelectual — sentar-se diante de uma obra e deixar que ela conte sua história.
Visitar a mostra é navegar por camadas de memória e representação: as cores, os contrastes e as figuras ganham volume e som na imaginação. Sinta o perfume distante dos vinhedos, o rumor da cidade e a textura da tinta; permita que a obra o transporte. Para quem ama descobrir hidden gems culturais, esta retrospectiva é uma parada obrigatória — um segredo oferecido à margem do Sena, onde arte e história se entrelaçam.
Se estiver planejando a sua viagem a Paris este outono-inverno, marque no itinerário uma manhã no Musée d'Art Moderne. Depois, brindemos com um apertivo: Andiamo, que a cidade e a arte têm sempre algo mais para nos sussurrar.

