Isaac Julien na Galleria Borghese: duas deusas e a metamorfose que nos transforma
Isaac Julien na Galleria Borghese: instalação imersiva com Sheila Atim e Gwendoline Christie, reflexão sobre metamorfose na mostra Metamorfosi até 11/10/2026.
RESUMO ✦
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Isaac Julien na Galleria Borghese: duas deusas e a metamorfose que nos transforma
Por Erica Santini — Ciao, viajante dos sentidos. Na íntima e resplandecente Galleria Borghese, chega uma obra que sussurra mudanças: é a instalação vídeo de Isaac Julien, All That Changes You. Metamorphosis, inserida na mostra Metamorfosi. Ovidio e le arti, curada por Lorenzo Giusti e aberta ao público até 11 de outubro de 2026. Andiamo: aqui a arte vira experiência.
Julien traz para os espaços da Uccelliera uma versão pensada para este ambiente — menos telas do que a apresentação original, mas com igual intensidade narrativa. A peça, que partiu do projeto exibido em Mantova inspirado nos afrescos de Giulio Romano a Palazzo Te, sofreu poucas intervenções: o texto, a trilha sonora e as sutilezas visuais permanecem essencialmente inalterados; o que mudou foi a adaptação de um sistema originalmente em dez telas para um único e imersivo écran, cuidadosamente repensado para abraçar as paredes e a luz desta sala histórica.
O trabalho dialoga com reflexões iniciais da filósofa Donna Haraway e coloca no centro duas presenças sobrenaturais — duas deusas contemporâneas — interpretadas por Sheila Atim e Gwendoline Christie (famosa por Brienne em Game of Thrones). Essas figuras proféticas nos conduzem por uma narrativa caleidoscópica sobre transformação, identidade e continuidade: em toda a criação, nada realmente se perde, apenas se transforma — e o filme de Julien nos convida a sentir essa metamorfose em carne e som.
Como curadora sensorial, confesso que a adaptação para a Uccelliera funciona como um gesto de proximidade: reduzindo os planos, a obra ganha concentração — a voz, os olhares e a música se tornam mais íntimos, quase táteis. É possível saborear a história como se fosse um espresso curto: intenso, concentrado, deixando um resíduo de imagens que continuam a vibrar depois que as luzes se apagam.
Visitar esta instalação é navegar entre o clássico e o contemporâneo — sentir o perfume do passado nos afrescos de Giulio Romano e, ao mesmo tempo, a textura do presente nas performances de Atim e Christie. A composição sonora e a linguagem visual criam um espaço onde o público pode se perder e, ao mesmo tempo, se reconhecer renovado, um convite ao Dolce Far Niente reflexivo.
Se você estiver em Roma nas próximas semanas, permita-se essa imersão. A Galleria Borghese propõe aqui uma conversa entre eras: Ovídio sussurra metamorfoses antigas, Julien devolve-as com imagens em movimento. Um percurso sensorial que fala direto ao corpo, à memória e ao desejo de transformação. Andiamo, e deixe-se mudar.

