Alverà alerta: capacidade de refino é crucial; embargo dos EUA ao diesel seria um problema grave
Alverà alerta que a capacidade de refino é estratégica; um embargo dos EUA ao diesel teria impacto grave para Itália e Europa.
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Alverà alerta: capacidade de refino é crucial; embargo dos EUA ao diesel seria um problema grave
Por Stella Ferrari — Com a gasolina já acima de 2 euros por litro e o diesel em alguns pontos rondando os 2,50 euros, a questão dos combustíveis volta a expor um ponto estrutural além do preço do petróleo: a capacidade de refino na Itália e na Europa.
Marco Alverà, fundador da plataforma de investimentos em infraestruturas para a transição energética Zhero e ex-executivo da Eni e da Snam, sublinha que o desafio é industrial. "Não nos serve apenas o petróleo bruto: precisamos de produtos refinados, especialmente diesel", explicou em entrevista ao Espresso Italia. Para Alverà, a verdadeira questão reside na disponibilidade e na capacidade de produzir derivados, não apenas na matéria-prima.
O cenário atual, marcado por mercados voláteis e cotações elevadas do petróleo comprado pelas refinarias, exige monitoramento contínuo do preço dos combustíveis e das dinâmicas que o determinam. A margem dos distribuidores é apertada, e medidas pontuais de algumas companhias, como estabelecimento de price caps ou descontos, não resolvem a fragilidade estrutural do setor.
Como estratégia de médio e longo prazo para a Itália, Alverà recomenda manter ativa a capacidade de refinamento. A transição energética, pondera ele, deve ser feita de forma gradual: a desativação precipitada de instalações industriais pode deixar o país e o continente vulneráveis quando crises geopolíticas pressionam os mercados. Em termos de política e investimento, trata-se de calibrar a evolução da matriz energética sem retirar os elementos essenciais do "motor da economia".
Sobre a hipótese de um eventual embargo dos EUA ao diesel, Alverà alerta para o impacto significativo que isso acarretaria. Os Estados Unidos detêm uma capacidade de refino ampla e sofisticada, sendo uma fonte relevante de produtos refinados — o que torna qualquer restrição exportadora um risco real para mercados dependentes dessas exportações. "Não é um cenário desejável", afirmou, sublinhando a imprevisibilidade das decisões políticas em momentos de pressão sobre os preços domésticos nos EUA.
Do ponto de vista prático, para a Itália o problema não é somente a cotação do petróleo em si, mas a combinação entre oferta de produtos refinados, infraestrutura de produção e logística. Em minha visão — como economista com foco em alta performance e infraestrutura — a solução passa por políticas que mantenham a integridade da cadeia industrial: investimentos em refino, estoques estratégicos e maior resiliência das rotas de abastecimento.
Em termos de governança e mercado, é preciso pensar como se ajusta a "calibragem de juros" e os "freios fiscais" em tempos de choque de oferta: medidas de curto prazo mitigam efeitos imediatos, mas a verdadeira segurança energética vem de um design industrial e de políticas que preservem a capacidade de produção. Esse é o desenho que permitirá à economia italiana atravessar a transição sem perder tração.

