Festival Nacional de Economia Civil em Florença premia cinco empresas como Embaixadoras 2026
Festival de Economia Civil em Florença premia cinco empresas como embaixadoras 2026 e reforça papel das cooperativas e comunidades.
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Festival Nacional de Economia Civil em Florença premia cinco empresas como Embaixadoras 2026
Na segunda jornada do Festival Nacional de Economia Civil, realizado em Florença, o palco foi dedicado a debates estratégicos sobre empresas que duram, passagem geracional, papel das comunidades e o futuro dos territórios. O evento articulou reflexões teóricas e exemplos práticos, calibrando ideias que funcionam como o motor da economia local.
O painel de abertura contou com a intervenção de monsenhor Domenico Pompili (bispo de Verona), que propôs a distinção conceitual entre resiliência e reliança. Citando o filósofo Edgar Morin, ele explicou que a reliança — junção entre 'ligar' e 'aliança' — descreve a capacidade exterior de estabelecer relações de qualidade: “A economia contemporânea não pode prescindir da habilidade de inventar novas formas de relação”.
No segmento dedicado a cibo, ristorazione e inclusione sociale, Fabiola Di Loreto, diretora-geral da Confcooperative, destacou o papel das cooperativas de comunidade em áreas onde capitais privados raramente chegam: “Repatriam jovens, restituem serviços e cultivam confiança social. Temos diversas leis regionais que variam demais; precisamos de uma lei-quadro nacional para as cooperativas de comunidade”.
Complementando, Maurizio Martina, vice-diretor-geral da FAO, ressaltou a necessidade de reconectar experiências agrícolas e agroalimentares às comunidades: “Tanto em países desenvolvidos quanto nos mais frágeis, é essencial repensar a economia civil no setor agrícola, integrando sustentabilidade, proximidade e valor social”.
No centro da programação vespertina aconteceu o Prêmio Nacional Empresas de Economia Civil 2026, com cinco boas práticas empresariais selecionadas em toda a Itália como embaixadoras da economia civil 2026. A cerimônia foi introduzida por Valentino Bobbio, presidente da NeXt (Nuova Economia per Tutti), que sublinhou: “As organizações premiadas permanecem competitivas no mercado e, simultaneamente, comprovam que é possível aliar lucro a valor relacional, qualificação do trabalho e confiança social”.
Entre as premiadas, a diretora da Cooperativa di Comunità La Compagnia di Marronbugio (San Godenzo), Francesca Oliva, lembrou as origens em plena pandemia: “Nascer em tempo de Covid exigiu esperança e coragem. Em pequenos borgos precisamos de empresas que cuidem do território e respirem confiança coletiva”.
Luca Emilio Brancati, CEO do Consorzio San Luca (Turim), recordou a trajetória de duas décadas: “Percebemos que as microempresas no restauro e no patrimônio cultural não sobreviveriam isoladas; a resposta foi criar rede e apoiar-se mutuamente — uma verdadeira calibragem institucional para resistir às fricções do mercado”.
Martina dell’Antonio, vicediretora do polo tecnológico Habitech (Rovereto), evidenciou a importância de combinar tecnologia, formação e inclusão para sustentar pessoas e territórios: “A inovação territorial não é apenas destravar capital; é projetar soluções que mantenham o fator humano no centro”.
O conjunto das intervenções e premiações reforçou uma mensagem clara para gestores, investidores e formuladores de política: a economia civil não é um acessório ético, mas um componente estrutural para a competitividade de longo prazo. Em termos práticos, trata-se de ajustar políticas — como quem faz a calibragem de um motor — para permitir que iniciativas locais acelerem tendências positivas sem perder aderência ao tecido social.
Como estrategista, concluo que a próxima etapa exige desenho de políticas públicas que removam os freios fiscais e incentivem redes colaborativas. A economia precisa tanto de torque financeiro quanto de relações robustas; só assim teremos iniciativas que realmente durem e acelerem a recuperação e o desenvolvimento dos territórios.

