Obra de professora catarinense Rossaly Beatriz Chioquetta Lorenset ganha destaque internacional e chega ao Vaticano; Papa Leão XIV recebeu o livro

Professora catarinense Rossaly Beatriz Chioquetta Lorenset é premiada na Feira do Livro de Turim com ensaio sobre leitura no cárcere e tem obra reconhecida internacionalmente, incluindo entrega ao Papa Leão XIV.

Obra de professora catarinense Rossaly Beatriz Chioquetta Lorenset ganha destaque internacional e chega ao Vaticano; Papa Leão XIV recebeu o livro

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GERADO EM: Mai 26, 2026 às 14:12

Obra de professora catarinense Rossaly Beatriz Chioquetta Lorenset ganha destaque internacional e chega ao Vaticano; Papa Leão XIV recebeu o livro

A professora Rossaly Beatriz Chioquetta Lorenset, do curso de Pedagogia da Unoesc Xanxerê, foi reconhecida internacionalmente ao receber um prêmio na Feira Internacional do Livro de Turim, na Itália. O prêmio foi dado pelo ensaio “A leitura pode ser uma sentença de liberdade?”, que explora o poder da leitura no contexto do encarceramento. Sua obra “Leitura e cárcere” investiga a leitura como uma ferramenta de transformação social e reconstrução de subjetividades em ambientes prisionais. A cerimônia destacou sua contribuição à intersecção entre linguagem, educação e justiça social, e seu trabalho reflete a relevância de pesquisas que abordam a leitura como um ato de liberdade dentro do sistema prisional.

Fique por dentro de todos os pontos deste artigo lendo a versão completa a seguir.

A professora do curso de Pedagogia da Unoesc Xanxerê, Rossaly Beatriz Chioquetta Lorenset, alcançou reconhecimento internacional ao ser premiada durante a Feira Internacional do Livro de Turim, na Itália um dos mais importantes encontros literários da Europa, onde diferentes vozes da literatura contemporânea se encontram para pensar o mundo por meio da palavra.

O prêmio foi concedido ao ensaio “A leitura pode ser uma sentença de liberdade?”, texto que nasce como desdobramento sensível e crítico de sua obra “Leitura e cárcere: (entre) linhas e grades, o leitor preso e a remição de pena”. Mais do que uma pesquisa acadêmica, trata-se de uma travessia intelectual sobre o poder da leitura em contextos de privação, onde o livro deixa de ser apenas objeto e passa a ser possibilidade de ruptura simbólica.

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Rossaly Beatriz Chioquetta Lorenset é doutora em Linguística pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e mestra em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), consolidando uma trajetória acadêmica marcada pela profundidade teórica e pelo compromisso com a investigação da linguagem em suas múltiplas dimensões sociais.

Sua formação inclui graduação em Letras Português-Inglês e respectivas Literaturas pela FACEPAL (Palmas-PR) e em Língua e Literatura Espanhola pela Unoesc, refletindo uma atuação plural no campo das linguagens e um diálogo constante entre diferentes tradições linguísticas e culturais.

Atualmente, atua como pesquisadora e professora de Língua Portuguesa na Universidade do Oeste de Santa Catarina e no Colégio La Salle, ambos em Xanxerê (SC), onde desenvolve atividades que articulam ensino, pesquisa e formação crítica de estudantes. Rossaly se destaca por sua produção intelectual voltada à intersecção entre linguagem, educação e sistema de justiça, contribuindo para debates contemporâneos sobre leitura, cidadania e transformação social.

O trabalho foi selecionado entre mais de 850 produções inscritas na primeira edição do Prêmio Literário “Don Meco – Dietro le Sbarre”, promovido pelo Fórum do Terceiro Setor de Piemonte. A iniciativa, dedicada ao tema “Atrás das grades”, reuniu textos de diferentes países que atravessam poesia, ensaio e narrativa para refletir sobre encarceramento, humanidade e reinvenção de futuros possíveis.

A cerimônia de lançamento da coletânea “Dietro le Sbarre: racconti, poesie e saggi – raccolta di testi premiati” ocorreu no dia 16 de maio, no estande da Prefeitura de Turim, integrando a programação oficial da feira. A obra reúne os textos premiados e se constitui como um espaço simbólico de escuta: vozes que atravessam muros físicos e sociais para afirmar que a palavra também é forma de liberdade.

Durante o evento, Rossaly Beatriz Chioquetta Lorenset foi destacada entre os autores homenageados e realizou o primeiro pronunciamento de agradecimento ao público presente um gesto que marcou não apenas a premiação, mas a potência de uma trajetória construída na intersecção entre linguagem, educação e justiça social.

A solenidade reuniu autoridades italianas, representantes do terceiro setor, lideranças religiosas e escritores premiados. Estiveram presentes o prefeito de Turim, Stefano Lo Russo, e a vice-prefeita Michela Favaro, reforçando o caráter institucional e cultural do encontro. Na ocasião, um exemplar de “Leitura e cárcere” foi entregue à vice-prefeita, em um gesto simbólico de diálogo entre produção acadêmica e políticas públicas.

Recebo esse reconhecimento internacional com extrema honra e emoção. Este momento aquece minha alma de felicidade, afinal, o acolhimento do público e da crítica está entre os maiores reconhecimentos que uma autora pode receber. A palavra é gratidão afirmou Rossaly, em um discurso que sintetiza a dimensão afetiva e intelectual de sua trajetória.

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Em julho de 2025, a obra também alcançou um marco simbólico de grande repercussão internacional ao ter um exemplar entregue ao Papa Leão XIV pelo arcebispo de Chapecó, Dom Odelir José Magri. Na mesma ocasião, o pontífice recebeu cartas assinadas por detentos do Presídio Regional de Xanxerê, nas quais foram compartilhados relatos sobre a importância da leitura no ambiente prisional e seus impactos na rotina, na reflexão pessoal e na reconstrução de perspectivas dentro do sistema carcerário.

Leia mais sobre: Quando a saída é pela leitura - Um livro pode ser sinal de liberdade (artigo publicado pela pagina oficial do Vatican News)

A trajetória de Rossaly Beatriz Chioquetta Lorenset evidencia a força da produção acadêmica quando aliada ao compromisso social e à reflexão crítica sobre a realidade. O reconhecimento internacional obtido na Feira do Livro de Turim, somado à repercussão de sua obra em diferentes esferas institucionais, reforça a relevância de pesquisas que articulam educação, leitura e sistema prisional.

Entre a palavra e o cárcere: A leitura como gesto de reinvenção

O livro “Leitura e cárcere: (entre) linhas e grades, o leitor preso e a remição de pena” nasce da pesquisa de doutorado da autora e se desdobra como uma reflexão profunda sobre os sentidos da leitura em ambientes de privação de liberdade. A obra não trata apenas do sistema prisional, mas das fissuras possíveis dentro dele espaços onde a linguagem, mesmo limitada, encontra caminhos para reconstruir subjetividades.

A pesquisa se ancora em experiências do projeto de extensão “Direito e Cárcere – Remissão da Pena pela Leitura”, desenvolvido ao longo de cinco anos na Unoesc Xanxerê. Nesse percurso, Rossaly Beatriz Chioquetta Lorenset ouviu histórias de pessoas privadas de liberdade no Presídio Regional de Xanxerê, onde a leitura se revelou não apenas ferramenta pedagógica, mas também gesto de sobrevivência simbólica.

O trabalho desenvolvido pela professora Rossaly Beatriz Chioquetta Lorenset pode ser acompanhado nas redes sociais, onde ela compartilha reflexões, pesquisas e iniciativas ligadas à educação, linguagem e sistema prisional.

Para seguir de perto sua atuação acadêmica e os projetos que desenvolve, acesse seu perfil oficial no Instagram: @rossaly_beatriz.

Ao analisar a previsão da Lei de Execução Penal, que permite a remição de pena por meio da leitura e do estudo, o trabalho evidencia como o ato de ler pode produzir deslocamentos internos: do silêncio à narrativa, da repetição à reflexão, da contenção à possibilidade de futuro.

Mais do que um reconhecimento acadêmico, a premiação em Turim ecoa como afirmação da cultura enquanto força de transformação. Em um cenário global onde a literatura continua a abrir caminhos de escuta e humanização, a trajetória da autora reforça a potência da pesquisa comprometida com o humano aquela que não se encerra em páginas, mas reverbera em vidas.

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