Obra de professora catarinense Rossaly Beatriz Chioquetta Lorenset ganha destaque internacional e chega ao Vaticano; Papa Leão XIV recebeu o livro
Professora catarinense Rossaly Beatriz Chioquetta Lorenset é premiada na Feira do Livro de Turim com ensaio sobre leitura no cárcere e tem obra reconhecida internacionalmente, incluindo entrega ao Papa Leão XIV.
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Obra de professora catarinense Rossaly Beatriz Chioquetta Lorenset ganha destaque internacional e chega ao Vaticano; Papa Leão XIV recebeu o livro
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A professora do curso de Pedagogia da Unoesc Xanxerê, Rossaly Beatriz Chioquetta Lorenset, alcançou reconhecimento internacional ao ser premiada durante a Feira Internacional do Livro de Turim, na Itália um dos mais importantes encontros literários da Europa, onde diferentes vozes da literatura contemporânea se encontram para pensar o mundo por meio da palavra.
O prêmio foi concedido ao ensaio “A leitura pode ser uma sentença de liberdade?”, texto que nasce como desdobramento sensível e crítico de sua obra “Leitura e cárcere: (entre) linhas e grades, o leitor preso e a remição de pena”. Mais do que uma pesquisa acadêmica, trata-se de uma travessia intelectual sobre o poder da leitura em contextos de privação, onde o livro deixa de ser apenas objeto e passa a ser possibilidade de ruptura simbólica.

O trabalho foi selecionado entre mais de 850 produções inscritas na primeira edição do Prêmio Literário “Don Meco – Dietro le Sbarre”, promovido pelo Fórum do Terceiro Setor de Piemonte. A iniciativa, dedicada ao tema “Atrás das grades”, reuniu textos de diferentes países que atravessam poesia, ensaio e narrativa para refletir sobre encarceramento, humanidade e reinvenção de futuros possíveis.
A cerimônia de lançamento da coletânea “Dietro le Sbarre: racconti, poesie e saggi – raccolta di testi premiati” ocorreu no dia 16 de maio, no estande da Prefeitura de Turim, integrando a programação oficial da feira. A obra reúne os textos premiados e se constitui como um espaço simbólico de escuta: vozes que atravessam muros físicos e sociais para afirmar que a palavra também é forma de liberdade.

Durante o evento, Rossaly Beatriz Chioquetta Lorenset foi destacada entre os autores homenageados e realizou o primeiro pronunciamento de agradecimento ao público presente um gesto que marcou não apenas a premiação, mas a potência de uma trajetória construída na intersecção entre linguagem, educação e justiça social.
A solenidade reuniu autoridades italianas, representantes do terceiro setor, lideranças religiosas e escritores premiados. Estiveram presentes o prefeito de Turim, Stefano Lo Russo, e a vice-prefeita Michela Favaro, reforçando o caráter institucional e cultural do encontro. Na ocasião, um exemplar de “Leitura e cárcere” foi entregue à vice-prefeita, em um gesto simbólico de diálogo entre produção acadêmica e políticas públicas.
Recebo esse reconhecimento internacional com extrema honra e emoção. Este momento aquece minha alma de felicidade, afinal, o acolhimento do público e da crítica está entre os maiores reconhecimentos que uma autora pode receber. A palavra é gratidão afirmou Rossaly, em um discurso que sintetiza a dimensão afetiva e intelectual de sua trajetória.
Em julho de 2025, a obra também alcançou um marco simbólico de grande repercussão internacional ao ter um exemplar entregue ao Papa Leão XIV pelo arcebispo de Chapecó, Dom Odelir José Magri. Na mesma ocasião, o pontífice recebeu cartas assinadas por detentos do Presídio Regional de Xanxerê, nas quais foram compartilhados relatos sobre a importância da leitura no ambiente prisional e seus impactos na rotina, na reflexão pessoal e na reconstrução de perspectivas dentro do sistema carcerário.
Leia mais sobre: Quando a saída é pela leitura - Um livro pode ser sinal de liberdade (artigo publicado pela pagina oficial do Vatican News)

A trajetória de Rossaly Beatriz Chioquetta Lorenset evidencia a força da produção acadêmica quando aliada ao compromisso social e à reflexão crítica sobre a realidade. O reconhecimento internacional obtido na Feira do Livro de Turim, somado à repercussão de sua obra em diferentes esferas institucionais, reforça a relevância de pesquisas que articulam educação, leitura e sistema prisional.
Entre a palavra e o cárcere: A leitura como gesto de reinvenção
O livro “Leitura e cárcere: (entre) linhas e grades, o leitor preso e a remição de pena” nasce da pesquisa de doutorado da autora e se desdobra como uma reflexão profunda sobre os sentidos da leitura em ambientes de privação de liberdade. A obra não trata apenas do sistema prisional, mas das fissuras possíveis dentro dele espaços onde a linguagem, mesmo limitada, encontra caminhos para reconstruir subjetividades.
A pesquisa se ancora em experiências do projeto de extensão “Direito e Cárcere – Remissão da Pena pela Leitura”, desenvolvido ao longo de cinco anos na Unoesc Xanxerê. Nesse percurso, Rossaly Beatriz Chioquetta Lorenset ouviu histórias de pessoas privadas de liberdade no Presídio Regional de Xanxerê, onde a leitura se revelou não apenas ferramenta pedagógica, mas também gesto de sobrevivência simbólica.

Ao analisar a previsão da Lei de Execução Penal, que permite a remição de pena por meio da leitura e do estudo, o trabalho evidencia como o ato de ler pode produzir deslocamentos internos: do silêncio à narrativa, da repetição à reflexão, da contenção à possibilidade de futuro.
Mais do que um reconhecimento acadêmico, a premiação em Turim ecoa como afirmação da cultura enquanto força de transformação. Em um cenário global onde a literatura continua a abrir caminhos de escuta e humanização, a trajetória da autora reforça a potência da pesquisa comprometida com o humano aquela que não se encerra em páginas, mas reverbera em vidas.


