Jacob Elordi e a dieta de Frankenstein: corpo, comida e a lembrança de Anthony Bourdain
Como Jacob Elordi usou dieta e prazer à mesa para construir a Criatura de Frankenstein, entre rigor físico e a filosofia de Anthony Bourdain.
RESUMO ✦
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Jacob Elordi e a dieta de Frankenstein: corpo, comida e a lembrança de Anthony Bourdain
Guarde este texto como quem guarda uma receita de família — para reler quando a saudade do prato e da história apertar. Aqui, converso sobre como Jacob Elordi, o jovem ator australiano nascido em 1997, transformou a mesa em instrumento de criação para encarnar a criatura de Guillermo del Toro em Frankenstein, papel que o levou à indicação ao Oscar 2026.
«Para interpretar a Criatura tive de construir um corpo que parecesse nascido duas vezes: forte, mas também frágil». Essa frase carrega a precisão de quem cozinha pensado no tempo de cozimento: não basta calor, é preciso paciência, respeito ao ponto. Para Elordi, o corpo do personagem não é apenas forma — é memória, é terreno onde se depositam emoção e história. E a dieta foi o mapa para chegar lá.
Ele conta que cada papel pede uma dieta distinta, calibrada com a quase ciência do mestre que ajusta sal e fogo. No caso de Frankenstein, o objetivo era uma força imperfeita: massa, não definição; presença, não escultura. Por meses, seguiu um plano rico em proteínas e carboidratos complexos, pensado para aumentar massa sem esculpir excessivamente os músculos. O cardápio diário lembrava uma cozinha de tradição que respeita a sazonalidade e o tempo: manhãs com ovos, pão integral e abacate — um começo que guarda energia lenta, como um caldo que sustenta a refeição inteira.
Ao meio-dia, cereais integrais como arroz integral ou quinoa eram combinados com frango ou salmão; à noite, porções generosas de carne ou peixe acompanhadas de legumes assados e batatas criavam o peso certo nas linhas do corpo. Entre refeições, lanches simples — iogurte grego, frutas frescas, punhados de castanhas — como pequenas anotações no caderno do cozinheiro. O resultado buscado não era definição extrema, mas um físico potente e levemente irregular, coerente com a dimensão trágica e romântica da Criatura.
Ao mesmo tempo, Elordi preserva um relacionamento livre com a comida. Partilha a filosofia de Anthony Bourdain: aproveitar o alimento quando ele aparece, sem transformar a alimentação numa gaiola de regras. Isso significa ceder ao prazer de um hambúrguer sem culpa, brindar com uma cerveja entre amigos, aceitar que a cozinha faça parte da vida e não só da preparação física. É um equilíbrio — períodos de disciplina para moldar o papel e momentos de indulgência para alimentar a alma.
Como guardiã de tradições, eu vejo nesta história o respeito ao ofício: apurar o corpo como se apura um molho lento, entender que a textura do personagem vem da mistura de ingredientes certos em proporções precisas. A mesa, nesse processo, é palco de alianças — entre ator, nutricionista e memória — onde cada alimento conta uma história e cada mordida ensina algo sobre vínculo, resistência e beleza imperfeita.
Se você gosta de cinema como eu gosto de boa cozinha, lembre-se: por trás de um desempenho inesquecível, há sempre uma cozinha bem composta e uma paciência que só o tempo — e o afeto — pode temperar.


