Cina e Paquistão lançam Iniciativa em cinco pontos para pôr fim às hostilidades no Irã
Cina e Paquistão apresentam plano em cinco pontos para encerrar hostilidades no Irã e restaurar segurança no Estreito de Ormuz e no Golfo.
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Cina e Paquistão lançam Iniciativa em cinco pontos para pôr fim às hostilidades no Irã
Por Marco Severini — Em um movimento calculado no tabuleiro diplomático, Cina e Paquistão apresentaram uma Iniciativa em cinco pontos destinada a conter a escalada do conflito no Irã e a restaurar a estabilidade no Oriente Médio e na região do Golfo. O plano resultou das conversações em Pequim entre o conselheiro de Estado chinês Wang Yi e o vice-primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, reunidos a pouco mais de um mês do início das hostilidades.
Segundo a nota oficial difundida em Islamabad, a proposta incorpora um apelo para que as hostilidades cessem imediatamente e para que colóquios de paz sejam iniciados "o mais cedo possível". A agência estatal chinesa descreveu o pacote como "cinco propostas". O encontro de Dar em Pequim ocorre após sua reunião, no fim de semana anterior em Islamabad, com os chanceleres da Arábia Saudita, do Egito e da Turquia — um eixo regional que busca, de forma pragmática, reduzir o risco de uma expansão do conflito.
De Islamabad foi reiterado que o Paquistão poderia, nos "próximos dias", acolher conversações entre delegações do Irã e dos Estados Unidos, oferecendo assim uma arena neutra para diálogo. A conversa em Pequim serviu para "reexaminar a situação" na região do Golfo e no Oriente Médio, com ênfase de que diálogo e diplomacia permanecem a única via viável para a resolução das disputas.
O texto público do acordo entre os dois aliados descreve compromissos claros: Cina e Paquistão apoiam as partes interessadas no início dos encontros e pedem que todos os atores se abstenham do uso ou da ameaça do uso da força durante as negociações. Reforça-se o princípio da proteção dos civis em conflitos militares e solicita-se a imediata suspensão de ataques contra alvos civis e infraestruturas essenciais.
Outro ponto sensível do documento é o chamado conjunto de medidas para a segurança marítima: Islamabad e Pequim exortam as partes a garantir a segurança de embarcações e tripulações no Estreito de Ormuz, a permitir o trânsito seguro de navios mercantes e a restaurar o fluxo normal de tráfego o mais rápido possível. Por fim, a iniciativa invoca o multilateralismo e a construção de uma paz duradoura com base na Carta das Nações Unidas e no direito internacional.
Do ponto de vista estratégico, trata-se de uma tentativa de redesenhar, de forma preventiva, as linhas de influência na região — um movimento que busca estabilizar os alicerces frágeis da diplomacia antes que as forças tectônicas do conflito redesenhem fronteiras invisíveis de poder. A proposta conjuga pragmatismo operacional (segurança no Estreito, proteção de civis) e princípios normativos (direito internacional, multilateralismo), oferecendo um roteiro de saída que pretende reduzir a necessidade de escolhas militares.
Resta ver se as partes em conflito aceitarão sentar-se à mesa proposta por atores que, embora influentes, não são necessariamente vistos por todos como mediadores neutros. Ainda assim, ao colocar em campo uma Iniciativa em cinco pontos, Pequim e Islamabad movem uma peça relevante no grande tabuleiro da diplomacia regional, tentando recuperar a iniciativa antes que a escalada se torne irreversível.