Dia da Vitória: 264 drones ucranianos sobre Moscou; Zelensky rejeita trégua simbólica e promete responder

Zelensky rejeita trégua simbólica no Dia da Vitória; 264 drones sobre Moscou e ambos os lados trocam acusações e ataques.

Dia da Vitória: 264 drones ucranianos sobre Moscou; Zelensky rejeita trégua simbólica e promete responder

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Dia da Vitória: 264 drones ucranianos sobre Moscou; Zelensky rejeita trégua simbólica e promete responder

Por Marco Severini — Em um movimento que redesenha linhas de influência e expõe os alicerces frágeis da diplomacia, a tensão entre Zelensky e Putin voltou a escalar no limiar do Dia da Vitória. Moscou havia anunciado uma trégua para os dias 8 e 9 de maio, mas relatos contraditórios e ataques mútuos transformaram o gesto em um lance tacitamente contestado no grande tabuleiro.

Segundo comunicados e declarações oficiais, a capital russa foi alvo de uma ofensiva com 264 drones atribuídos à Ucrânia. O prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, relatou ter detectado a interceptação de 20 veículos aéreos não tripulados durante a noite, dos quais três foram abatidos pelas defesas russas. Paralelamente, Kiev denuncia mais de 140 ataques contra posições de primeira linha, além de ações descritas como 10 assaltos e "mais de 850 ataques com drones de diversos tipos".

Da vereda russa, o Ministério da Defesa sustentou que houve 1.365 violações ucranianas do suposto cessar-fogo, num repercutir de acusações que evidencia o fracasso de um cessar-fogo bilateral, ainda que de caráter temporário e simbólico. O anúncio do cessar-fogo por Moscou, com início à meia-noite, foi justificado publicamente como gesto em homenagem às celebrações do 9 de maio — data que comemora a derrota do nazifascismo e que tem profundo conteúdo histórico e simbólico para a Rússia.

Em resposta direta às hostilidades, o presidente ucraniano Zelensky afirmou que "não houve nem sequer uma tentativa simbólica de cessar-fogo por parte russa" e declarou que a Ucrânia "responderá com a mesma moeda" — expressão que resume uma estratégia de reciprocidade imediata no confronto. Trata-se de um movimento calculado: ao recusar a trégua simbólica, Kiev quer preservar, em termos práticos, sua capacidade dissuasória no teatro de operações.

Além do confronto direto, a diplomacia de corredor precisou entrar em cena. Foi noticiado que Vladimir Putin manteve uma conversa telefônica de mais de uma hora e meia com Donald Trump, num diálogo que, segundo o entorno do Kremlin, incluiu a hipótese de um acordo e a abertura a uma trégua para o 9 de maio. O conselheiro Ushakov chegou a afirmar que ambos concordam na avaliação de que Zelensky estaria, de certa forma, prolongando o conflito.

Do ponto de vista estratégico, temos aqui um clássico jogo de xadrez de alto risco: cada lado expõe movimentos públicos que servem tanto a objetivos militares quanto a objetivos de narrativa. A declaração russa de trégua, seguida de advertências sobre ataques com mísseis em caso de violação, funcionou como um lance defensivo que tenta controlar a agenda simbólica do Dia da Vitória. A resposta ucraniana, por sua vez, pretende negar a Rússia uma vitória de propaganda e reafirmar autonomia operacional.

O episódio faz emergir outra realidade: a diplomacia permanece um campo de tectônica de poder, onde comunicações privadas — como a conversa Putin–Trump — coexistem com confrontos públicos e ações militares. Para observadores que privilegiam a estabilidade regional, a lição é clara: acordos episódicos sem garantias verificáveis convertem-se em meras pausas na narrativa beligerante, não em solução.

Em síntese, a promessa de trégua para as comemorações históricas foi posta à prova numa noite que revelou tanto capacidades técnicas — o uso massivo de drones — quanto fraquezas políticas. O resultado é um reforço da imprevisibilidade estratégica na Ucrânia e um redesenho de fronteiras invisíveis entre simbolismo e força bruta.