Iraque: EUA pressionam Al-Zaidi por ações concretas contra grupos filo-iranianos — expulsão de soldados e corte de fundos

EUA pressionam Al‑Zaidi a agir contra milícias filo‑iranianas, condicionando fundos e assistência à expulsão de soldados e suspensão de pagamentos.

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Iraque: EUA pressionam Al-Zaidi por ações concretas contra grupos filo-iranianos — expulsão de soldados e corte de fundos

06 de maio de 2026 — Por Marco Severini, Espresso Italia.

Na recente nomeação de Ali al‑Zaidi ao cargo de primeiro‑ministro do Iraque, Washington reacende, de maneira incisiva e estratégica, a sua pressão sobre Bagdá. O novo premiê, escolhido pelo presidente Amedi sob a indicação do Quadro de Coordenação (CF), é visto em Washington como uma figura de compromisso — um movimento posicional no tabuleiro político que pode permitir ao Ocidente reposicionar influências regionais.

O ponto de maior fricção é claro: a influência e a presença das forças e milícias filo‑iranianas dentro das estruturas estatais iraquianas. Fontes diplomáticas e um funcionário norte‑americano anônimo indicam que o restabelecimento dos fluxos financeiros do Iraque — muitos administrados por instrumentos financeiros sob jurisdição americana, como a Federal Reserve Bank de Nova York — assim como a retomada da assistência em matéria de segurança, estarão condicionados a medidas concretas para reduzir essa influência.

Segundo interlocutores em Washington, a administração americana colocou sobre a mesa três exigências explícitas para a futura liderança de al‑Zaidi: a) a expulsão de soldados e milícias alinhadas ao Irã de quaisquer instituições estatais; b) o corte do apoio orçamentário a essas unidades; e c) a suspensão de pagamentos e transferências que beneficiem as redes paramilitares próximas a Teerã. Em linguagem diplomática, trata‑se de transformar vantagens financeiras e logísticas em instrumentos de condicionamento político.

Al‑Zaidi — técnico com formação em administração, gestão empresarial e governança financeira — é visto como um primeiro‑ministro de transição, apto a montar um gabinete de tecnocratas capaz de restaurar a estabilidade fiscal sem oscilações públicas em direção a Teerã. Para Washington, há urgência: a expectativa é que o novo governo execute, rapidamente, movimentos que desconectem centros de poder militar paralelos ao Estado.

No entanto, a cena doméstica iraquiana permanece complexa. O Quadro de Coordenação continua a considerar alternativas mais próximas ao Irã — nomes como Bassam al‑Badri, Hamid al‑Shatri e Ali Shukri foram citados em correntes internas como possíveis candidatos. Essa fractura faz do Iraque um tabuleiro de xadrez regional, onde cada peça deslocada provoca reações em cadeias de influência entre Bagdá, Teerã e Washington.

Do ponto de vista da realpolitik, a pressão norte‑americana combina elementos de alavancagem financeira e segurança: ao condicionar recursos essenciais, Washington procura redesenhar, sem confronto aberto, os alicerces da diplomacia iraquiana. É um teste para a capacidade de al‑Zaidi de operar como mediador entre patrocinadores externos e as redes políticas internas.

Resta saber se o novo executivo optará por respostas imediatas que satisfaçam a exigência americana — e, simultaneamente, mantenham a coesão interna necessária para governar — ou se Bagdá seguirá uma via de autonomia que arrisque o bloqueio de fundos e assistência. Em qualquer cenário, o desfecho influenciará a tectônica de poder no Levante e a estabilidade do Estado iraquiano.

Em linhas de bastidores, o jogo ainda não terminou: a administração americana observa o movimento de peças em Bagdá à espera de sinais concretos. Para o Iraque, cada decisão será medida não apenas em termos de segurança imediata, mas como um mapa de alinhamentos futuros num xadrez geopolítico de altas apostas.