25 de Abril: celebração popular ofuscada por tiros em Roma e confrontos em Milão

25 de Abril: multidões celebram a Libertação, mas tiros em Roma e incidentes em Milão levantam dúvidas sobre segurança e memória.

25 de Abril: celebração popular ofuscada por tiros em Roma e confrontos em Milão

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25 de Abril: celebração popular ofuscada por tiros em Roma e confrontos em Milão

A Itália celebrou o 81º aniversário da Libertação em um dia de ampla participação popular, mas também de tensões que questionam a segurança e o papel das instituições. Praças de cidades como Milão, Roma, Nápoles, Bolonha e Cagliari registraram grande afluência — mais de 100 mil pessoas só em Milão — numa demonstração clara do vigor cívico em torno do 25 de Abril.

No entanto, a data simbólica foi marcada por dois episódios que transformaram a comemoração em campo de disputa política. Em Roma, na área do Parco Schuster, um casal de militantes do ANPI, identificável pelo tradicional lenço vermelho, foi alvo de uma agressão premeditada: um homem em uma scooter disparou três tiros com uma pistola de ar comprimido, atingindo o marido no pescoço e a mulher no ombro. As lesões são consideradas leves, mas o alcance político do ataque é grande. O prefeito Roberto Gualtieri definiu o episódio como um "fato inquietante". Do lado oposicionista e do centro-esquerda, vozes como as de Elly Schlein e Nicola Fratoianni classificaram o ato como "squadrista". A principal questão permanece: foi a ação de um instável isolado ou uma tentativa de intimidação política em um dia de forte simbolismo?

Em Milão, a comemoração também gerou controvérsia. A delegação da Brigata Ebraica, tradicionalmente vinculada à memória da Resistência, foi escoltada e afastada do percurso principal para evitar confrontos com grupos pró-Palestina. Davide Romano, diretor do Museu da Brigata, falou em "ferida institucional": segundo ele, o Estado não garantiu o direito de manifestação de uma representação histórica da Resistência, cedendo às pressões de frentes extremistas. O deputado Emanuele Fiano registrou insultos dirigidos aos integrantes da Brigada, o que inflamou um debate público sobre quem protege a memória e quem insulta sua própria história.

O episódio em Milão gerou ainda acusações graves contra o ANPI. Walker Meghnagi, presidente da Comunidade Ebraica de Milão, acusou a associação de ter emitido declarações ambíguas nos dias anteriores e de não ter se empenhado o suficiente para proteger a delegação, chegando a afirmar que tais posturas incentivaram um clima antissemitista.

No plano político-institucional, trouxe tensão as declarações do presidente do Senado, Ignazio La Russa, que propôs uma memória do 25 de Abril aberta a uma "pacífica" inclusão dos "vencidos" da República Social Italiana (RSI). A ideia suscitou reação imediata da esquerda e das associações de partigiani, que consideraram inaceitável equiparar as vítimas da luta antifascista com quem apoiou o regime de Salò. Lideranças como Angelo Bonelli e outras vozes da resistência classificaram a proposta como uma reescrita perigosa da história.

O saldo da data é, portanto, ambivalente: uma festa de povo com participação massiva e, ao mesmo tempo, um alerta sobre o estado de tensão política e social. Resta à "arquitetura" institucional — das forças de segurança às representações civis — reconstruir os alicerces da convivência democrática e garantir que a memória se mantenha como ponte entre gerações, não como campo de batalha. A caneta do poder e a atuação das autoridades terão papel decisivo para derrubar as barreiras burocráticas e restaurar confiança após um 25 de Abril que misturou celebração e conflito.