Índice de Percepção da Corrupção 2025: Itália cai para 53 pontos e fica em 52º lugar, atrás de Botswana, Ruanda e Chipre

CPI 2025: Itália tem 53 pontos e ocupa 52º lugar; fragilidades em leis e transparência agravam percepção de corrupção.

Índice de Percepção da Corrupção 2025: Itália cai para 53 pontos e fica em 52º lugar, atrás de Botswana, Ruanda e Chipre

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Índice de Percepção da Corrupção 2025: Itália cai para 53 pontos e fica em 52º lugar, atrás de Botswana, Ruanda e Chipre

Transparency International divulgou em fevereiro o relatório do Índice de Percepção da Corrupção (CPI) 2025, que aponta uma deterioração global na luta contra a corrupção no setor público. Para a Itália, o relatório registra uma queda: o país alcança agora 53 pontos, um ponto a menos que em 2024, e ocupa a 52ª posição no ranking mundial.

O dado ganha relevo quando comparado a algumas nações africanas: Caboverde figura no 35º lugar, enquanto Botswana e Ruanda dividem a 41ª posição. Mesmo Chipre aparece acima da Península, no 49º posto. Esses resultados reforçam que a percepção sobre a integridade pública não é monopólio das grandes democracias e que a arquitetura das instituições pode ruir mesmo onde se acredita haver sólidas barreiras.

O CPI avalia 182 países e territórios usando 13 fontes independentes e painéis de especialistas. O panorama de 2025 demonstra um agravamento generalizado: a corrupção avança também em democracias consideradas estáveis, corroendo a confiança pública e aumentando o custo social de decisões tomadas em gabinetes distantes da vida cotidiana dos cidadãos.

Sobre as razões do recuo italiano, a Transparency International destaca fragilidades concretas no sistema nacional de prevenção da corrupção. Entre elas, chama atenção para a depenalização do abuso de autoridade (abuso d’ufficio), que teria enfraquecido mecanismos sancionatórios essenciais. Além disso, o relatório critica a resistência italiana — compartilhada com a Alemanha — ao reconhecimento do abuso de autoridade como crime na nova Diretiva Anticorrupção da UE, proposta em 2023 e aprovada provisoriamente no final do ano passado.

Outras lacunas apontadas incluem a ausência de uma lei orgânica sobre lobbying, a falta de uma regulamentação abrangente sobre conflito de interesses e a recente suspensão do Registro dos titulares efetivos, que enfraquece as defesas contra o lavagem de dinheiro e reduz a transparência sobre propriedade real de empresas e ativos.

O relatório chega em um contexto político sensível. Em Brasília romana, intervenções públicas como a do ministro da Justiça Carlo Nordio, que defendeu a expressão “modestissime mazzette” em debates sobre instrumentos de investigação, ilustram uma tensão entre a linguagem política e a percepção pública sobre tolerância à corrupção. No plano local, o caso recente em Palermo, com a detenção do deputado regional Mancuso por suposta corrupção — acusado de ter recebido 12 mil euros para favorecer uma associação que obteve 98 mil euros da região — evidencia que o problema não é abstrato, mas tem impacto direto sobre serviços e recursos à comunidade.

Como repórter atento à relação entre Roma e a vida dos cidadãos, observo que o recuo no CPI exige ações concretas: reconstruir os alicerces da lei com medidas de transparência efetiva, retomar o registro dos beneficiários finais e aprovar normas claras sobre lobbying e conflitos de interesse. Só assim será possível erguer novamente a ponte entre instituições e sociedade, derrubando barreiras burocráticas que hoje facilitam a opacidade.

Para imigrantes, ítalo-descendentes e cidadãos italianos, a mensagem é direta: o peso da caneta nas decisões públicas continua a definir prioridades. A vigilância jornalística e cívica torna-se, portanto, peça-chave na construção de direitos e na defesa do interesse público.