La Russa defende Almirante: “O MSI foi o partido mais democrático que conheci, até mais que Fratelli d'Italia”

La Russa afirma que o MSI de Almirante foi o partido mais democrático que conheceu, até mais que Fratelli d'Italia, e defende sua trajetória política.

La Russa defende Almirante: “O MSI foi o partido mais democrático que conheci, até mais que Fratelli d'Italia”

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La Russa defende Almirante: “O MSI foi o partido mais democrático que conheci, até mais que Fratelli d'Italia”

Por Giuseppe Borgo — Em entrevista ao Corriere della Sera, o presidente do Senado, Ignazio La Russa, voltou a assumir uma posição de defesa histórica sobre Giorgio Almirante e o papel do MSI no pós-guerra italiano. La Russa afirmou que, na sua experiência, o movimento de Almirante foi “o partido mais democrático que conheci”, chegando a comparar favoravelmente o MSI com o atual Fratelli d'Italia.

La Russa disse recordar Almirante anualmente e, sempre que possível, participa da missa em sua memória. “Ninguém está reabilitando o passado por conveniência”, declarou, frisando que admirava Almirante politicamente e apreciava sua ironia. Sobre as acusações envolvendo Roberto Vannacci — cuja presença política em períodos difíceis da direita La Russa diz não ter presenciado — o presidente do Senado considerou as críticas “mesquinhas” e, com respeito, quase risíveis.

O ponto central da entrevista foi a defesa de uma leitura histórica: segundo La Russa, o MSI sob Almirante teria facilitado o retorno de parcelas do eleitorado de direita à arena parlamentar. “Era um partido em que se votava para tudo — até para a ordem dos candidatos nas listas — e ele se absteve em várias ocasiões. Nunca encontrei um partido tão democrático”, afirmou, incluindo na comparação direta com o contemporâneo Fratelli d'Italia, que, segundo ele, não possui o mesmo caráter participativo interno.

Questionado sobre o passado de Almirante como chefe de gabinete do Minculpop da República de Salò, La Russa não negou o fato, mas destacou a trajetória subsequente: “Depois, ajudou o percurso rumo à democracia”. Para sustentar essa avaliação, citou elogios de figuras institucionais de peso — incluindo dois presidentes da República (um ex-PCi) e um presidente da Câmara ex-comunista. Luciano Violante teria dito que Almirante se empenhou em construir um novo vínculo entre o Estado e as massas populares. Sergio Mattarella recordou o esforço de Almirante para amarrar “fios de coerência moral” e reconhecer sua capacidade de diálogo parlamentar nos anos difíceis. Giorgio Napolitano teria valorizado a tentativa de buscar plena legitimação no sistema democrático e o mérito em combater impulsos antiparlamentares, demonstrando respeito pelas instituições. Até o Papa o teria recebido no Vaticano, segundo La Russa.

Como repórter voltado para a intersecção entre decisões de Roma e vida cotidiana, cabe ressaltar que declarações desse tipo têm efeito concreto: moldam narrativas sobre reconhecimento público, reabilitação moral e os alicerces sobre os quais a memória política é construída. A afirmação de que um partido com origem na margem política foi, internamente, extremamente participativo, abre espaço para debates necessários sobre como se legitima o espaço partidário e como isso repercute no exercício dos direitos civis e eleitorais dos cidadãos.

Na prática, a posição de La Russa atua como uma ponte entre interpretações históricas e a política contemporânea: reforça argumentos para uma reavaliação institucional e provoca perguntas sobre transparência interna e responsabilidade democrática de partidos que hoje disputam o voto dos cidadãos.

Em linguagem direta, sem floreios e com a precisão de quem acompanha a arquitetura do poder, La Russa desenha uma imagem de Almirante como figura ambígua — com passado controverso, mas papel posterior de integração parlamentar. Resta à sociedade e aos historiadores pesar esses elementos com rigor acessível e clareza.