Entre 8 e 10 horas por semana: a dose real de movimento para reduzir o risco de infarto
Estudo indica que entre 560 e 610 minutos semanais (8–10 horas) de atividade reduzem substancialmente o risco de infarto; menos condicionados precisam de mais exercício.
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Entre 8 e 10 horas por semana: a dose real de movimento para reduzir o risco de infarto
Por Alessandro Vittorio Romano — Um estudo publicado no British Journal of Sports Medicine sugere que, para obter uma redução substancial no risco de infarto e ictus, os adultos precisam de bem mais do que a recomendação mínima atual. Segundo a pesquisa, é necessário cumprir entre 560 e 610 minutos semanais de atividade física moderada a intensa — o que equivale a aproximadamente 9 a 10 horas por semana (na prática, entre 8 e 10 horas).
Os dados vêm de uma análise com 17.088 participantes do banco de dados UK Biobank, registrados entre 2013 e 2015. Com idade média de 57 anos, os voluntários usaram dispositivos de pulso por sete dias para medir os níveis reais de exercício e fizeram testes de esforço em bicicleta para estimar o VO2 max, indicador-chave do condicionamento cardiorrespiratório. Fatores como tabagismo, dieta, consumo de álcool, índice de massa corporal, pressão arterial e frequência cardíaca também foram considerados.
Durante um acompanhamento médio de 7,8 anos, foram registrados 1.233 eventos cardiovasculares — incluindo fibrilação atrial, infartos, insuficiência cardíaca e acidentes vasculares. Respeitar a meta mínima de 150 minutos por semana, atualmente recomendada pelas diretrizes internacionais, trouxe apenas uma redução relativamente modesta no risco cardiovascular, na ordem de 8% a 9%.
Para alcançar uma proteção considerada "substancial" — superior a 30% — os pesquisadores apontam a necessidade dos 560–610 minutos semanais de esforço moderado a intenso. No estudo, apenas 12% dos participantes conseguiam esse nível de atividade.
Um ponto sensível da descoberta é a diferença entre quem já tem boa forma física e quem parte de níveis baixos. Indivíduos menos condicionados precisam praticar cerca de 30 a 50 minutos a mais por semana do que pessoas mais treinadas para obter ganhos equivalentes. Por exemplo, para reduzir em 20% o risco cardiovascular, quem está menos em forma precisa de cerca de 370 minutos semanais, enquanto pessoas mais condicionadas necessitam de aproximadamente 340 minutos.
Os autores lembram que se trata de um estudo observacional, logo não prova causalidade direta. Também admitem que os participantes do UK Biobank podem estar, em média, mais saudáveis e ativos que a população geral. As diretrizes atuais continuam válidas como referência mínima universal de proteção cardiovascular, mas o estudo abre caminho para recomendações futuras mais personalizadas, baseadas no nível individual de fitness cardiorrespiratório.
Como quem vive a Itália como uma sequência de estações — o corpo tem seu tempo interno, e a cidade sua respiração — esta pesquisa nos convida a pensar a atividade física como uma colheita de hábitos: não basta semear pouco e esperar uma grande safra. Para muitas pessoas, a proteção verdadeira exige regar o terreno por mais horas, com atenção ao próprio ritmo e à capacidade do corpo — o mapa do VO2 max é uma bússola útil para quem busca recomendações personalizadas. Em termos práticos, o convite é para olhar a rotina com sensibilidade: somar minutos de caminhada vigorosa, pedaladas e treinos, até alcançar uma paisagem de bem-estar que protege o coração.