Martone (Sobi): melhorar o acesso aos medicamentos exige organizar os processos de aprovisionamento

Martone (Sobi) pede organizar processos de aprovisionamento para acelerar o acesso a medicamentos, com procedimentos regionais e monitoramento por real world data.

Martone (Sobi): melhorar o acesso aos medicamentos exige organizar os processos de aprovisionamento

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Martone (Sobi): melhorar o acesso aos medicamentos exige organizar os processos de aprovisionamento

Por Alessandro Vittorio Romano — Em Roma, durante o encontro 'Espresso Italia Q&A - Salute, prevenzione e risorse: le sfide', Nicoletta Martone, Governmental Affairs and Patient Access Associate Director da Sobi Italy, trouxe à mesa uma visão clara e prática: o problema do acesso aos medicamentos não é só clínico, é principalmente organizacional.

Martone lembrou que, para entender o tema, é preciso distinguir entre o aspecto formal — os prontuários regionais e hospitalares — e o aspecto substancial — se o paciente tem de fato a disponibilidade do medicamento. “Isso depende de dinâmicas de aprovisionamento”, afirmou, destacando que se trata de processos logísticos e de compra que, quando bem estruturados, podem transformar o ritmo com que uma terapia chega ao usuário.

Ao comentar o atual quadro regulatório, Martone apontou que o chamado Testo unico sobre a farmacêutica, ainda em elaboração, não detalhará todos esses aspectos operacionais. Por outro lado, citou o decreto-lei 19 de fevereiro de 2026 como mecanismo que traz substância ao código dos contratos públicos, abrindo a possibilidade de acesso precoce por vias de aprovisionamento simplificado para medicamentos com direito excludente. “Se conseguirmos que as proceduras negociadas sejam regionais, estruturais e planejadas, ganharemos tempo — e tempo é saúde”, comentou.

Em tom prático, trouxe a experiência da Sicília como uma best practice, sobretudo no campo das doenças raras, onde programas regionais bem montados aceleraram a chegada de terapias. “A inovação, especialmente nas doenças raras, não pode ser avaliada só do ponto de vista regulatório ou tecnológico. É um fenômeno que impacta a saúde coletiva; se chega tarde, perde valor”, disse Martone.

Para reduzir as desigualdades regionais, a solução passa por instrumentos de monitoramento que vão além de outcomes e se debruçam sobre a adequação (appropriatezza) do uso. O segundo passo, segundo Martone, é uma programação regional compartilhada — alimentada por real world data — que coloque todos os stakeholders à mesa e permita construir um sistema capaz de incorporar a inovação de forma efetiva.

Como quem observa a respiração das cidades e as estações da vida humana, penso que organizar processos é semear rotinas que germinam em acesso real. O tempo interno do corpo do sistema de saúde precisa sincronizar-se com o ritmo das descobertas: apenas assim a colheita de novos tratamentos beneficia quem espera. A proposta de Martone é, em essência, prática e quase pastoral — uma chamada para regar as raízes do bem-estar com procedimentos claros, regionais e planejados.

Martone concluiu lembrando que o desafio é coletivo: legislar, planejar e monitorar para que a inovação deixe de ser hipótese e passe a ser condição cotidiana, disponível onde o paciente realmente está.