Idosa de 98 anos doa fígado e salva uma vida em Pistoia

Aos 98 anos, Annina Sensi doou o fígado em Pistoia; transplante foi bem-sucedido. Família pede registro de vontade na renovação da identidade.

Idosa de 98 anos doa fígado e salva uma vida em Pistoia

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Idosa de 98 anos doa fígado e salva uma vida em Pistoia

Pistoia, 31 de outubro de 2026 — Em um gesto que combina a doçura de uma colheita tardia com a força discreta de quem conhece as estações da vida, Annina Sensi, de Montale (Pistoia), doou o fígado poucos dias antes de completar 98 anos e salvou a vida de outra pessoa.

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Internada no hospital San Jacopo após sofrer uma hemorragia cerebral, Annina teve confirmada a morte encefálica. A família, sensibilizada pela experiência prévia – uma outra filha havia vivido por mais tempo graças a um transplante de fígado –, autorizou o procedimento de retirada do órgão. Os médicos explicaram que a função hepática pode permanecer preservada independentemente da idade cronológica, o que abriu caminho para a doação.

Outro detalhe que pesou na decisão foi o grupo sanguíneo B positivo de Annina, um tipo relativamente raro presente em cerca de 7% da população. Essa combinação de fatores tornou possível um transplante bem-sucedido: a cirurgia correu sem intercorrências e o paciente receptor começou a recuperação, beneficiado pela generosidade de uma mulher que viveu quase um século.

A família tornou pública a história, não para ostentar heroísmo, mas para semear disponibilidade e informação: incentivar a cultura da doação de órgãos e lembrar que é simples registrar a própria vontade ao renovar a carteira de identidade. É um gesto prático, quase ritual, que transforma um instante de perda em semente de vida para outros.

Como um jardineiro que entende que mesmo no outono há frutos que ainda podem nutrir, a comunidade à volta de Montale recebeu a notícia como um lembrete sensível sobre o valor da decisão consciente. Em tempos em que o corpo e a cidade respiram acompanhando ciclos variados — do descanso ao renascimento — casos como o de Annina nos lembram que o cuidado pode transcender o tempo individual.

Esta notícia, divulgada pelos jornais locais e repercutida pela redação de saúde, realça também um aspecto prático: muitos cidadãos desconhecem a possibilidade de registrar a concordância para doação no momento do renovação do documento de identidade. A família de Annina pede que esse gesto seja considerado como um legado simples e seguro.

Para quem vive a Itália como experiência sensorial e humana, a história se impõe como uma lição de generosidade cotidiana — a maneira pela qual cultivamos nossas raízes de bem-estar coletivo. Annina partiu, mas seu ato permanece: a doação de um fígado aos 98 anos virou ponte entre vidas, lembrando que o corpo tem estações próprias, e que às vezes a melhor colheita vem quando menos se espera.

Fonte: ANSA / Redação local

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