AfD vence em Saxônia-Anhalt: impacto geopolítico e funeral de Mladić desafia a UE da Sérvia
Análise geopolítica: vitória do AfD em Saxônia-Anhalt, enterro de Mladić em Belgrado e conversas US-UA com Zelenskyy — implicações para a UE.
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AfD vence em Saxônia-Anhalt: impacto geopolítico e funeral de Mladić desafia a UE da Sérvia
Por Marco Severini — Em uma leitura estratégica do novo mapa político europeu, a vitória do AfD em Saxônia-Anhalt representa um movimento decisivo no tabuleiro alemão. A escalada eleitoral do partido de extrema-direita não é um incidente isolado: traduz-se em um redesenho de influência interna que pressiona os alicerces tradicionais da Alemanha e cria fraturas na margem de manobra da União Europeia.
Da nossa redação em Berlim, Laura Fleischmann descreve como essa conquista eleitoral altera as coordenadas do debate político alemão e quais prioridades serão reavalia- das em políticas domésticas e externas. Em seguida, Stefan Grobe discute o significado desta virada com o deputado Günter Krings, que oferece uma leitura institucional: como reagirão os partidos de governo, e que riscos existem para a estabilidade das grandes coalizões?
No campo da diplomacia e da segurança, Sasha Vakulina traz a análise das conversações entre os enviados norte-americanos — Steve Witkoff e Jared Kushner — e o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy. As negociações, embora discretas e sem anúncios públicos de avanços, são indicativas de uma tectônica de poder em movimento: a própria natureza da mediação sugere tentativa de realinhamentos pragmáticos, mas por ora os resultados permanecem não divulgados e, em muitos aspectos, tácitos.
Em Belgrado, Mared Gwynri relata um capítulo sombrio que testa os limites da diplomacia europeia: o sepultamento do condenado por crimes de guerra Ratko Mladić. A cerimônia, realizada apesar dos alertas da UE contra qualquer manifestação de glorificação, coloca a Sérvia em confronto com instituições que buscam preservar a memória e evitar reabilitações revisionistas. É uma manobra que redobrou a vigilância sobre o papel estatal e social na gestão da memória de conflitos recentes.
Também na edição, entrevista com o comissário europeu para Agricultura, Christophe Hansen, que disseca temas centrais ao presente: segurança alimentar, subsídios agrícolas e como a política rural se entrelaça com a estabilidade econômica do bloco. Hansen traça medidas e riscos, oferecendo uma visão técnica que dialoga diretamente com o quadro político ampliado.
O programa, apresentado por Méabh Mc Mahon, com a nossa chefe de redação para a UE, Maria Tadeo, oferece aos espectadores — em apenas 20 minutos — um panorama analítico das histórias que estão esculpindo o futuro da Europa e além. Disponível diariamente, em dias úteis, às 08:00 (hora de Bruxelas), em nossa transmissão televisiva e nas plataformas digitais (YouTube, Facebook, X e Instagram), o formato privilegia clareza e contexto, como uma carta náutica para quem quer entender os movimentos, e não apenas os ruídos, do dia.
Em suma, observamos uma reconfiguração do tabuleiro europeu: da ascensão de forças nacionalistas em nível regional às disputas de narrativa sobre memória e justiça na Sérvia, passando por interlocuções diplomáticas discretas entre Washington e Kiev. Cada um desses eventos é uma peça num jogo mais amplo de influência — e exige de decisores e analistas a calma de um jogador que antecipa riscos e constrói estratégias de longo prazo.

