Ceuta em tensão: Sánchez convoca Conselho de Segurança 25 dias após entrada de 72.000 migrantes
Sánchez convoca Conselho de Segurança após entrada de 72.000 migrantes em Ceuta; governo, oposição e UE em confronto sobre repatriações e direitos de menores.
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Ceuta em tensão: Sánchez convoca Conselho de Segurança 25 dias após entrada de 72.000 migrantes
Por Marco Severini — Em movimento decisivo no tabuleiro da política interna e externa, o presidente do Governo espanhol, Sánchez, convocou de forma extraordinária o Conselho de Segurança Nacional, 25 dias após o início da grave crise migratória em Ceuta. A reunião será realizada no Palácio da Moncloa, antes do primeiro Conselho de Ministros após as férias de verão, com o objetivo de analisar e coordenar respostas a uma situação que ainda pressiona com força os alicerces administrativos da cidade autónoma.
As autoridades reconhecem que Ceuta permanece "bem longe" da normalidade depois do ingresso massivo de mais de 72.000 pessoas pela fronteira do Tarajal nos dias 30 e 31 de julho. A tensão continua a exercer pressão intensa sobre os serviços de imigração, justiça e saúde, exigindo um redesenho das capacidades operacionais e logísticas locais.
O delegado do Governo em Ceuta, Miguel Ángel Pérez Triano, admitiu a gravidade do cenário ao afirmar que a cidade ainda está longe da normalidade, e rejeitou categoricamente a ideia de apresentar demissão, qualificando-a como uma "absoluta irresponsabilidade e covardia" num momento em que a coordenação executiva é estratégica.
À margem das declarações, Pérez Triano reuniu-se com responsáveis da Brigada de Imigração e Fronteiras da Polícia Nacional para aferir as medidas necessárias após o ingresso irregular em massa. As administrações envolveram-se num esforço para reforçar dispositivos, mas a situação persiste como um teste à resistência institucional.
Do lado da oposição, a pressão aumentou. O porta-voz opositor Borja Sémper pediu o envio imediato de "todas as unidades de imigração necessárias", operando em dispositivos de três turnos (manhã, tarde e noite), para acelerar os procedimentos de repatriação dos migrantes que ainda se encontram na cidade. "Não é aceitável tratar os retornos como se fossem rotineiros; isto é extraordinário", afirmou Sémper, apelando à mobilização total de recursos humanos e jurídicos.
Nos corredores da diplomacia, o ex-chefe da diplomacia espanhola e europeia, Josep Borrell, criticou de forma contundente a reação de alguns governos europeus, qualificando-a de "histérica, desproporcionada e absurda". Borrell lamentou a ausência de solidariedade comunitária — destacando que, segundo ele, a maioria dos Estados-membros entrou em pânico, com exceção de França, Portugal, Luxemburgo e Irlanda — e reafirmou a necessidade de aplicar as leis enquanto se protege os direitos dos menores e potenciais requerentes de asilo.
Como analista que observa a tectônica de poder na periferia do Mediterrâneo, vejo nesta convocação um movimento estratégico: não apenas para enfrentar uma emergência humanitária e administrativa, mas também para reposicionar a Espanha num diálogo difícil com Bruxelas sobre responsabilidade e fronteiras. A situação em Ceuta revela fragilidades institucionais e exige decisões que serão avaliadas como jogadas determinantes no tabuleiro das relações ibero-europeias.
O Conselho de Segurança Nacional deverá, portanto, avaliar medidas operacionais imediatas, linhas de cooperação com a União Europeia e garantias legais para proteger os direitos fundamentais, ao mesmo tempo em que se busca normalizar a vida urbana e restaurar os alicerces fracos da diplomacia e da gestão pública.

