Lituânia alerta que remover Usmanov das sanções fragiliza a UE

Lituânia avisa que retirar Usmanov das sanções fragiliza a UE e divide o apoio a Kiev; proposta francesa busca troca por libertação de prisioneiros.

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Lituânia alerta que remover Usmanov das sanções fragiliza a UE

Por Marco Severini — A Lituânia manifesta-se "muito cética" quanto à proposta de retirar o oligarca uzbeque-russo Alisher Usmanov da mais recente lista de sanções da União Europeia, afirmou o ministro das Finanças lituano, Taurimas Valys, em entrevista ao programa 12 Minutes With da Euronews.

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A iniciativa de Paris, que solicitou na semana passada a remoção de Usmanov do rol de sancionados, integra-se num pacote que poderia culminar na libertação de dois cidadãos franceses detidos no Azerbaijão. A França alegou motivos de segurança nacional ao justificar o pedido e, segundo relatos, alinhou-se com a Eslováquia nessa demanda — sem, no entanto, fornecer comentários públicos adicionais.

"Quanto a qualquer relaxamento das sanções, somos muito céticos", disse Valys, sublinhando que a posição francesa complicou a renovação do regime sancionatório da UE, que exige aprovação unânime dos 27 Estados-membros. O pacote em discussão inclui quase 3.000 pessoas e entidades acusadas de apoiar a invasão em larga escala da Rússia contra a Ucrânia.

Vilnius sustenta que não é momento para reduzir a pressão sobre Moscou. "A guerra não acabou. Consideramos que qualquer tentativa de aliviar as sanções antes de um acordo de paz poderia ser interpretada pela Rússia como um sinal de fraqueza", advertiu o ministro. Valys ainda apontou que remover o nome de Usmanov poderia revelar uma Europa dividida no seu apoio a Kiev. O oligarca foi sancionado nas fases iniciais do conflito por supostos "laços estreitos" com o presidente Vladimir Putin e por interesses em setores-chave da economia russa que garantiriam receitas consideráveis ao Estado; Usmanov nega tais acusações.

O ministro lituano reforçou que a Lituânia apoia, na verdade, um endurecimento das medidas punitivas contra Moscou. "A Rússia deve compreender que estamos unidos", afirmou Valys, evocando a lógica de alargamento europeu: "Consideramos a Ucrânia parte do nosso processo de alargamento. Qualquer nova ocupação ou dano adicional à Ucrânia é totalmente inaceitável."

Apesar da maioria das capitais da UE alinhar-se com a posição de Vilnius sobre a manutenção dos nomes na lista, a presidência irlandesa do Conselho propôs um compromisso sensível: retirar Usmanov e também Mikhail Fridman da lista, em troca de um renovado — e sem precedentes — regime de sanções por 36 meses, destinado a evitar futuros bloqueios políticos, segundo diplomatas contactados pela Euronews. A proposta entrou em exame pelos diplomatas em Bruxelas na segunda-feira.

A urgência para desbloquear a situação cresce, dado que a prorrogação atual é temporária — representantes da UE concederam, na semana passada, apenas uma extensão de sete dias por falta de consenso sobre um renovação mais ampla.

Em termos geopolíticos, trata-se de um movimento decisivo no tabuleiro: a remoção pontual de nomes muito visíveis pode ser percebida como um enfraquecimento dos alicerces da diplomacia europeia e reduzir a eficácia dissuasiva das medidaseconômicas. A escolha que Bruxelas fará será, portanto, menos um expediente técnico e mais um recalque estratégico sobre a tectônica de poder entre a UE e a Rússia.

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