Putin amplia domínio na Duma; UE, por Kaja Kallas, rejeita votos em territórios ocupados

Rússia Unida consolida maioria na Duma; UE, por Kaja Kallas, rejeita votos em territórios ucranianos ocupados e anuncia sanções.

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Putin amplia domínio na Duma; UE, por Kaja Kallas, rejeita votos em territórios ocupados

Bruxelas – O resultado das eleições que Moscou apresentou como renovação parlamentar confirmou o que já era esperado nos bastidores do poder: Rússia Unida, partido do presidente Vladimir Putin, consolidou sua maioria na Duma com 57,83% dos votos e 355 dos 450 assentos, contra 310 na legislatura anterior. Em segundo lugar ficou o Partido Comunista, com 13,89% dos votos, seguido pelo ultranacionalista Partido Liberal-Democrático da Rússia (LDPR), com 9,29%.

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O desfecho era previsível — um movimento calculado no tabuleiro político do Kremlin que reforça, em termos formais, o domínio já estabelecido. Mais do que uma disputa eleitoral, tratou-se de uma operação de Estado para reafirmar controles institucionais e legislativos, preservando o alinhamento entre Executivo e Legislativo.

As críticas internas e externas concentraram-se sobretudo nas urnas organizadas nos territórios temporariamente ocupados da Ucrânia. Crimeia e Sebastopol — já incorporadas de facto pela Rússia desde 2014 —, bem como porções das regiões de Donetsk, Luhansk, Zaporizhia e Kherson, foram palco de votações que Bruxelas e outras capitais europeias consideram ilegítimas.

Um porta‑voz da Comissão Europeia apontou, antes do encerramento das urnas, que as modalidades do sufrágio “evidenciam a contínua e crescente erosão da democracia na Rússia”. Na mesma linha, a Plataforma de Diálogo com as Forças Democráticas Russas da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa (PACE) definiu o processo como “uma farsa”.

Em resposta direta, a Alta Representante da União Europeia para os Assuntos Externos e a Política de Segurança, Kaja Kallas, condenou de forma inequívoca a organização das chamadas “eleições” nos territórios ocupados. Kallas reiterou que a UE “não reconhece e não reconhecerá nunca” nem o ato de votar nesses territórios, nem os resultados daí advindos. Complementou que serão impostas sanções contra aqueles que tenham participado da organização dessa encenação eleitoral ou que se apresentem como candidatos nessas áreas, além de medidas dirigidas a quem minar a possibilidade de eleições livres e regulares dentro da própria Rússia.

Do ponto de vista geopolítico, estamos diante de um movimento com dupla função: consolidar poderes internamente e projectar, externamente, uma narrativa de normalidade institucional. No entanto, esse redesenho de fronteiras políticas — uma tectônica de influência — carece de reconhecimento internacional e, por isso, gera custo diplomático e risco de isolamento.

Como analista, observo que o Kremlin jogou um lance decisivo no tabuleiro — reforçando sua base parlamentar — enquanto a arquitetura institucional europeia reage com penalidades e delegitimação. A disputa, portanto, não é apenas sobre cadeiras na Duma, mas sobre os alicerces da legitimidade no direito internacional e a estabilidade de um tecido geopolítico já tensionado.

Em suma: vitória anunciada para Rússia Unida, protesto firme da UE e um novo capítulo na erosão das normas democráticas, com implicações diretas para a ordem europeia e para aqueles que ainda defendem eleições livres como pedra angular da soberania legítima.

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