Raphaël Gluksmann oficializa candidatura à presidência da França para 2027
Raphaël Gluksmann anuncia candidatura à presidência francesa de 2027 e propõe foco em transição ecológica, taxação dos ricos e prioridade à escola.
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Raphaël Gluksmann oficializa candidatura à presidência da França para 2027
Com a calma de quem observa o tabuleiro antes de executar um lance decisivo, o líder do partido de centro-esquerda Place publique, Raphaël Gluksmann, confirmou sua entrada na corrida presidencial de 2027 em entrevista na noite de domingo à TF1. A declaração foi direta: sim, é candidato, e traz consigo uma narrativa de contenção do avanço da extrema-direita e de reconstrução dos alicerces republicanos.
Na sua intervenção, Gluksmann afirmou ter "uma visão para a França" e recusou a ideia de simplesmente deixar o país nas mãos de Marine Le Pen, ou dos que, em sua visão, agem como auxiliares políticos de interesses externos como os de Trump e de Putin. A mensagem busca desenhar um eixo de influência alternativo, baseado na recuperação da ordem democrática e na retomada da política como arte de governar com prudência.
O candidato justificou sua decisão como uma resposta ao sentimento de inquietação crescente entre os franceses: ele se apresenta "para resgatar a França", porque existe um nó no estômago coletivo diante do que a nação se tornou e do que pode vir a ser nos próximos meses. É uma linguagem pensada para transformar aflição em projeto político.
Gluksmann anunciou que participará das primárias da esquerda e comprometeu-se a respeitar as regras do processo caso não seja o escolhido. Estremece, porém, a sua promessa política mais categórica: se vencer a indicação, não haverá qualquer acordo com Jean-Luc Mélenchon. Trata-se de um movimento para estabelecer fronteiras claras no campo progressista, um redesenho de limites invisíveis no tabuleiro eleitoral.
Entre as promessas de campanha do candidato de 46 anos estão a presidência da transição ecológica, uma política fiscal que tenda a taxar os super-ricos e a colocação da escola no centro das prioridades governamentais. Em maio, Gluksmann havia anunciado um périplo de três meses para percorrer o país, propor um novo "contrato patriótico" e reunir sua família política em vista da eleição presidencial.
Uma consequência imediata da sua decisão é a expectativa de que sua companheira, a jornalista Léa Salamé, renuncie a suas funções na emissora pública France 2, para evitar conflitos de interesse durante a campanha.
O quadro partidário permanece fragmentado: Marine Le Pen vê 2027 como a melhor oportunidade para alcançar o Eliseu, após três tentativas; multiplicam-se candidaturas tanto no centro — num tabuleiro onde o presidente Emmanuel Macron não pode concorrer novamente — quanto na esquerda. Jean-Luc Mélenchon concorre mais uma vez; a líder dos ecologistas Marine Tondelier participa das primárias apesar da gravidez; Delphine Batho lançou candidatura para impedir a diluição da ecologia. Nomes como Olivier Faure e até François Hollande são ventilados.
Nas últimas semanas, o apoio de figuras ecológicas ganhou relevo: o ex-candidato Yannick Jadot declarou apoio a Gluksmann e ficará responsável por desenhar no seu programa a operacionalização de um estado de urgência ecológica. Pesquisas preliminares atribuem a Gluksmann percentuais modestos nas projeções iniciais, mas sua entrada altera a configuração estratégica do campo progressista e impõe um novo desafio à tectônica de poder na política francesa.
Ao assumir a candidatura, Raphaël Gluksmann abre um capítulo de disputas internas e alianças possíveis, num cenário onde cada movimento precisa ser calculado com precisão. Como num jogo de xadrez entre vetores ideológicos, seu projeto será testado tanto na capacidade de agregar quanto na firmeza para traçar limites claros em torno de uma alternativa democrática e europeísta.

