UE recebe visita dos enviados dos EUA a Kiev: apoio a todo esforço por uma paz justa e duradoura
UE apoia visita dos enviados dos EUA a Kiev e defende esforços diplomáticos por uma paz justa, enquanto Rússia intensifica ataques a civis e infraestruturas.
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UE recebe visita dos enviados dos EUA a Kiev: apoio a todo esforço por uma paz justa e duradoura
Por Marco Severini — Em Bruxelas, a União Europeia saudou a viagem a Kiev dos enviados especiais dos Estados Unidos, Jared Kushner e Steve Witkoff, realizada após os encontros dos dois com o presidente russo Vladimir Putin em Moscou no último sábado. A mensagem, transmitida pelo porta-voz para Assuntos Exteriores da Comissão Europeia, Christian Wigand, institucionaliza o apoio europeu a qualquer iniciativa diplomática que possa reabrir canais para uma resolução política do conflito.
Na visão calma, mas estratégica que a geopolítica exige, trata-se de um novo movimento no tabuleiro: um impulso diplomático externo que busca testar possibilidades de engajamento entre as partes. A Comissão sublinha que a apreciação à intensificação dos contactos é condicionada pela realidade do terreno — onde, simultaneamente, a Rússia segue escalando as hostilidades.
Wigand destacou a contradição evidente entre tentativas de diálogo e ações militares: ataques continuados que têm como alvo civis, um trágico balanço de vítimas ao longo do verão, ofensivas contra as exportações de grãos ucranianos no Mar Negro — colocando em risco a segurança alimentar global — e atos deliberados contra infraestruturas energéticas com o objetivo de infligir um inverno rigoroso à população.
Segundo a declaração oficial de Berlaymont, "as ações de Putin conduzem à devastação; as palavras do presidente russo reiteram objetivos maximalistas que não contribuem para o fim desta guerra". Em contrapartida, a Ucrânia mantém-se firme na sua resiliência e no seu compromisso por um cessar-fogo total e incondicional. "Portanto, apoiamos os esforços ucranianos para alcançar uma paz justa e duradoura", frisou o porta-voz.
Do ponto de vista dos corredores do poder, é plausível ver nesta missão um teste de limites: sondar posições, medir reações e procurar espaços diplomáticos onde antes havia pouca tração. Trata‑se de um processo que exige paciência estratégica — mover-se como em uma partida de xadrez, avaliando cada risco e cada possibilidade de avanço sem desfazer alicerces frágeis da diplomacia.
Sobre eventuais contactos diretos entre o presidente Volodymyr Zelensky e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a chefe de gabinete e porta-voz, Paula Pinho, afirmou que não podia confirmar horário específico para uma chamada, mas recordou os contactos regulares entre von der Leyen e Zelensky. "Não me surpreenderia que se falassem depois desses colóquios do fim de semana", declarou.
Do ponto de vista estratégico, a situação evidencia a tectônica de poder em curso: enquanto iniciativas diplomáticas são bem-vindas e necessárias para desenhar caminhos de solução, a continuidade das ações militares russo‑soviéticas — e seus efeitos sobre populações e cadeias globais de alimentação e energia — mantém intacta a urgência de um desenho político que garanta segurança, justiça e o fim das hostilidades.
Na instância prática, a União Europeia reafirma seu papel de interlocutor atento e de garantidor de princípios: apoiar todos os esforços que conduzam a uma paz justa e duradoura, sem, porém, fechar os olhos às dinâmicas de poder que continuam a moldar este conflito.

