Amianto no liceo 'Golgi' de Broni: denúncia, fechamento e diálogo aberto sobre riscos
Amianto detectado no liceo 'Golgi' de Broni: obras liberaram poeira, escola fechada e denúncia à Procuradoria; pais pedem respostas.
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Amianto no liceo 'Golgi' de Broni: denúncia, fechamento e diálogo aberto sobre riscos
Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes. A presença de amianto no edifício que abriga o liceo 'Golgi' de Broni (província de Pavia) reacende um problema antigo e documentado na cidade: a convivência com estruturas ligadas à Fibronit e os riscos à saúde pública. A situação escalou em 23 de março, quando a realização de obras no poço do elevador provocou a dispersão de polveri e levou à evacuação e ao fechamento imediato da escola.
O episódio começou com uma denúncia informal: Fabrizio Protti, presidente do Sportello Amianto, recebeu uma ligação de sua filha e se deslocou ao local. Segundo Protti, operários usaram um martelo pneumático para alargar a caixa do elevador, liberando poeira visível no ambiente. Alunos apresentaram sintomas respiratórios; dois foram encaminhados ao pronto-socorro. Testemunhos e imagens recolhidos no local mostram estudantes cobertos por pó. Protti relata ter recolhido amostras com as próprias mãos e depositado o material em um copo de plástico para preservação da prova.
Na mesma noite de 23 de março, a direção da escola determinou o fechamento do estabelecimento até nova ordem. No dia seguinte, Protti apresentou uma denúncia formal à Procura di Pavia, responsabilizando a Provincia (proprietária do imóvel), a empresa executora dos trabalhos e a direção escolar para que sejam apuradas eventuais responsabilidades criminais e administrativas.
Broni tem histórico doloroso relacionado a poluição por amianto: a cidade é comparada a Casale Monferrato do território dell'Oltrepò, com estimativas locais que apontam para cerca de 700 óbitos atribuídos à exposição ligada à antiga atividade da fábrica de fibrocemento. O prédio que abriga o liceo integra uma área classificada como SIN (sito d'interesse nazionale) – a lista dos locais de interesse nacional contaminados – relacionada à Fibronit desde 2017. Pergunta-se, portanto, por que uma instituição escolar funciona em ambiente reconhecido como de alto risco.
Do ponto de vista jurídico-administrativo, a legislação permite a presença de escola em imóvel que contenha materiais contendo amianto apenas quando o proprietário certifica que não existem interferências que possam provocar a dispersão de fibras. Protti afirma que houve apenas um inventário parcial por parte do chamado «responsável do risco» do estabelecimento, sem a produção de documentação completa que atestasse a inexistência do perigo.
A Ats (Azienda Territoriale Sanitaria) realizou coletas e informou ter localizado amianto no cavedio do elevador — precisamente onde se realizavam os trabalhos —, mas declarou não ter detectado fibras nocivas no ar. Protti e pais contestam o método: os ensaios foram feitos mais de 24 horas após a intervenção e com janelas abertas, circunstâncias que podem diminuir a detectabilidade de fibras em suspensão. A controvérsia técnica agora passa pela análise das amostras, pela verificação das práticas de segurança adotadas pela empresa e pela investigação sobre porque o imóvel, parte de um SIN reconhecido, permaneceu ocupável sem remoção definitiva do risco.
Os pais dos alunos iniciaram uma petição exigindo respostas e medidas cautelares imediatas. A Procuradoria de Pavia abriu procedimento para apuração dos fatos. A realidade traduzida pelos documentos e depoimentos aponta para falhas no controle administrativo e para a urgência de revisitar decisões que permitiram a permanência de uma escola num edifício situado em área de risco.
Seguimos acompanhando o caso com acesso aos autos, contatos institucionais e solicitações formais de documentos técnicos à Ats, à Provincia e à direção escolar. A apuração prossegue para estabelecer responsabilidades e medidas de proteção à saúde dos estudantes e profissionais da educação.