Procura de Pavia conclui inquérito e indicia Andrea Sempio pelo homicídio de Chiara Poggi

Procura de Pavia conclui inquérito e indicia Andrea Sempio pelo homicídio de Chiara Poggi; processo segue para possível pedido de julgamento.

Procura de Pavia conclui inquérito e indicia Andrea Sempio pelo homicídio de Chiara Poggi

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Procura de Pavia conclui inquérito e indicia Andrea Sempio pelo homicídio de Chiara Poggi

A Procura de Pavia notificou, em 7 de maio de 2026, o encerramento das novas investigações relativas ao caso de Chiara Poggi. Pelo teor do aviso de conclusão de inquérito, não seria mais Alberto Stasi — então namorado da vítima e que está a cumprir pena de 16 anos de prisão — o responsável pelo crime, mas sim Andrea Sempio, que na época tinha 19 anos e era amigo do irmão de Chiara.

O documento de quatro páginas, assinado pelo procurador-adjunto Stefano Civardi e pelas substitutas Valentina De Stefano e Giulia Rizzari, imputa a Sempio o crime de homicídio voluntário pluriplagado, agravado pela "crueldade" e pelos "motivos abjetos". Segundo a peça, a jovem foi morta com "pelo menos 12 golpes" na manhã de 13 de agosto de 2007, na residência da família na via Pascoli, em Garlasco.

A motivação delineada pela investigação é inequívoca: a morte teria decorrido do "ódio" gerado pelo "repúdio" às investidas de natureza sexual atribuídas ao investigado. Elementos considerados novos — reunidos após a reabertura das apurações em 2016/2017 — teriam permitido aos investigadores reorientar o caso e apontar Sempio como autor do crime.

No aviso de conclusão das investigações (art. 415 bis), a Procura de Pavia informa também o depósito integral dos autos do procedimento penal n.642/2025 (antes n.8283/2016) e a intenção de encaminhar ao Procurador-Geral de Milão um resumo dos novos elementos probatórios, para eventual exercício de prerrogativas de competência.

A defesa foi notificada no fim da tarde de 7 de maio. O teor do ato antecipa o pedido de pronunciamento para julgamento (rinvio a giudizio). Sempio compareceu para interrogatório em 6 de maio e, segundo a nota da Procura, fez uso da facoltà di non rispondere (direito de permanecer em silêncio).

O Raio-X das investigações, conduzidas pelo Nucleo Investigativo dos Carabinieri de Milão, descreve uma dinâmica violenta: após uma pequena colluttazione inicial, a vítima teria sido atingida reiteradamente na cabeça. Em seguida, o corpo teria sido arrastado em direção à porta de acesso à cantina; ao tentar reagir, ajoelhando-se, Chiara teria sofrido outros 3-4 golpes, perdido os sentidos e sido empurrada escada abaixo, onde, já inconsciente, teria recebido mais 4-5 impactos que lhe causaram lesões letais.

Fontes da investigação indicam que novas interceptações telefônicas e conversas captadas teriam sido reveladoras quanto ao movente. Parte desses diálogos, segundo o inquérito, referem-se a vídeos íntimos entre a estudante e Alberto Stasi que teriam sido vistos por terceiros na época, circunstância que, na linha probatória dos investigadores, teria alimentado a hostilidade culminando no crime.

O procurador-chefe de Pavia, Fabio Napoleone, assinou a nota que formaliza o término da fase instrutória coordenada por sua equipe. O próximo passo formal será a remessa dos autos ao Ministério Público Superior em Milão e, em sequência, o eventual pedido de abertura de processo contra Andrea Sempio.

Trata-se de um desfecho processual relevante em um caso que atravessou décadas de investigação, sentenças e reaberturas. A tramitação seguirá agora os trâmites previstos pelo código de processo penal: da notificação da conclusão das investigações poderá decorrer a proposta de acusação e a consequente designação de audiência de instrução.

Em linha com os princípios de apuração, a reportagem registra que as imputações descritas constam no aviso formal e que o indiciado exerceu seu direito de não responder aos magistrados. A precisão dos fatos recai sobre o material juntado aos autos, cuja análise e eventual apreciação judicial irão determinar os desenvolvimentos futuros do caso.