Estudo Novartis-Iqvia: pacientes sabem do risco de recidiva do câncer de mama, mas apenas 1 em 4 participa das decisões de tratamento
Estudo Novartis-Iqvia mostra que 8 em 10 pacientes conhecem o risco de recidiva do câncer de mama, mas apenas 24% participaram da decisão terapêutica.
RESUMO ✦
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Estudo Novartis-Iqvia: pacientes sabem do risco de recidiva do câncer de mama, mas apenas 1 em 4 participa das decisões de tratamento
Por Giulliano Martini. Em apuração e cruzamento de fontes, um novo estudo promovido pela Novartis Itália e realizado pela Iqvia sobre 148 mulheres com tumor de mama Hr+/Her2- em fase inicial revela uma lacuna entre informação e participação nas terapias. A pesquisa ocorre no contexto do mês de conscientização sobre o câncer de mama, outubro, quando a prevenção e o diagnóstico precoce recebem atenção pública ampliada.
Os dados mostram que, embora cerca de 8 em cada 10 pacientes reconheçam que o tumor de mama pode recidivar, esse conhecimento geral nem sempre se converte em entendimento do próprio quadro clínico. Uma em cada quatro mulheres não conhece seu risco individual de recidiva. Ao mesmo tempo, a relação médico-paciente é geralmente bem avaliada: mais de três em cada quatro entrevistadas relatam sentir-se escutadas e acolhidas pelo time de cuidados. No entanto, essa confiança tende a significar delegação de decisões, e não co-responsabilização: apenas 24% das pacientes afirmam que a escolha do tratamento foi discutida e tomada de forma compartilhada.
Em termos epidemiológicos, o estudo recorda que na Itália são diagnosticados cerca de 54.000 novos casos de tumor de mama por ano, e aproximadamente 925.000 mulheres vivem após um diagnóstico. O subtipo Hr+/Her2- corresponde a cerca de 70% desses casos em fase inicial. Neste contexto, o risco de recidiva pode persistir por anos, exigindo avaliação individualizada e acompanhamento prolongado.
As terapias adjuvantes têm por objetivo reduzir esse risco e muitas vezes acompanham a paciente por vários anos. Compreender o próprio perfil de risco melhora a capacidade de aceitar ou questionar as opções propostas, e contribui para expectativas mais realistas sobre os benefícios e efeitos adversos do tratamento. Sobre este ponto, a oncologista Angela Toss, associada na Universidade de Modena e Reggio Emilia e vinculada ao Azienda ospedaliero-universitaria de Modena, afirma: 'Conhecer o próprio risco individual significa compreender melhor as razões das opções terapêuticas propostas e o que esperar do tratamento. O diálogo com a equipe de cuidados deve prosseguir no tempo e oferecer espaço para perguntas, dúvidas e aprofundamentos'.
Do ponto de vista prático e de saúde pública, o achado central é a dissociação entre consciência geral do problema e engajamento ativo na escolha terapêutica. Esse descompasso aponta para oportunidades concretas de intervenção: capacitação das equipes para comunicação de risco individual, ferramentas de decisão compartilhada durante consultas de seguimento e programas de educação contínua para pacientes.
Como repórter em apuração, o foco está em fatos brutos e na leitura objetiva das implicações clínicas. A pesquisa Novartis-Iqvia reforça que informação sem mecanismos efetivos de participação resulta em adesao passiva a recomendações médicas. Para transformar conhecimento em decisão informada e autônoma, é necessário estruturar o diálogo clínico e garantir que a paciente receba, de forma compreensível, o seu risco individual de recidiva e as alternativas terapêuticas, incluindo a duração e a finalidade das terapias adjuvantes.
Em resumo, há progresso na consciência sobre o tumor de mama, mas persiste um gap de participação ativa. A resposta passa por políticas de comunicação clínica, formação da equipe de oncologia e instrumentos de suporte à decisão que convertam informação em protagonismo da paciente.

