Max Parisi viaja aos EUA para tratar câncer de pâncreas com o novo daraxonrasib: "Espero ganhar mais tempo"

Max Parisi busca nos EUA o daraxonrasib contra o câncer de pâncreas; debate sobre custo, acesso e uso compassivo ganha força na Europa.

Max Parisi viaja aos EUA para tratar câncer de pâncreas com o novo daraxonrasib: "Espero ganhar mais tempo"

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Max Parisi viaja aos EUA para tratar câncer de pâncreas com o novo daraxonrasib: "Espero ganhar mais tempo"

Por Chiara Lombardi — Em uma narrativa que mistura luta pessoal e um espelho do nosso tempo, Max Parisi, 58 anos, locutor do Radio Monte Carlo, deu uma entrevista onde descreve o que significa tentar reescrever o seu roteiro diante do câncer de pâncreas. Em tratamento há cerca de dois anos, Parisi está desde agosto nos Estados Unidos buscando uma terapia inédita: o daraxonrasib.

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"Speravo di arrivare almeno al mio compleanno, il 9 novembre. E invece adesso grazie al farmaco daraxonrasib ho una prospettiva che guarda oltre i due mesi e, lo dico con prudenza e scaramanzia, spero di andare ancora avanti per un pò" — palavras que, apesar de pronunciadas em italiano, soam como um roteiro onde se recusa um final prematuro.

O percurso começou quando, em 31 de julho, os médicos do San Raffaele comunicaram que não havia mais opções terapêuticas disponíveis. Pouco depois, em 26 de agosto, houve nos EUA a aprovação do daraxonrasib pela FDA, um fármaco direcionado contra uma alteração molecular específica associada ao tumor pancreático. A partir daí, Parisi decidiu tentar a nova terapia e tornar pública a sua escolha. O repórter Gaetano Pecoraro, de Le Iene, viajou a San Francisco para encontrá-lo; a reportagem irá ao ar nesta noite na Italia 1.

A oncologista Chiara Cremolini, do comitê diretivo da AIOM e professora na Universidade de Pisa, explicou ao Espresso Italia Salute que, embora o fármaco esteja aprovado e em uso na prática clínica americana, trata-se de uma terapia de alto custo: cerca de 39 mil dólares por mês. No sistema norte-americano, o acesso muitas vezes depende do pagamento direto ou da cobertura por seguradoras, estrutura bem distinta do sistema público italiano. Essa diferença revela o reframe da realidade entre países — o mesmo diagnóstico, caminhos completamente diferentes.

No momento, o daraxonrasib não tem aprovação da EMA, que ainda avalia os dados, e por isso não pode ser reembolsado pelos sistemas públicos europeus. A opção de uso compassivo, que permitiria acesso antecipado a pacientes sem alternativas, ainda não foi ativada pela empresa farmacêutica responsável na Europa. A AIOM solicitou formalmente à companhia a abertura de um programa e o início de diálogo com a AIFA, gerando também interpelações parlamentares de tom bipartidário.

Mais do que um caso pessoal, a história de Parisi expõe o roteiro oculto da sociedade diante das inovações médicas: quem pode pagar, quem tem porta de entrada na novidade terapêutica, e como a mídia transforma indivíduos em bandeiras de debates públicos. Há aqui um elo entre memória e responsabilidade coletiva — o tratamento experimental de um homem de rádio reverbera como um sinal sobre desigualdade no acesso à saúde e sobre como a ciência, o mercado e o sistema regulatório se entrelaçam.

Parisi escolheu tornar público seu movimento, não para pedir compaixão, mas para abrir um diálogo. Sua viagem aos EUA é, para além do tratamento, um convite a olhar o panorama maior: regulamentação, ética, políticas de saúde e o papel das indústrias farmacêuticas em ativar programas de uso compassivo. Como numa cena de cinema, estamos diante de múltiplos protagonistas — o paciente, a ciência, o sistema — e é o espectador coletivo que deve decidir qual final queremos escrever para o futuro.

Enquanto aguardamos desdobramentos regulatórios e possíveis programas internacionais de acesso, resta a esperança cautelosa de Parisi e o reconhecimento de que, em muitos casos, o tempo ganho por uma nova terapia não é apenas estatística: é narrativa, memória e vida.

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