Canadá prefere aguardar novo presidente dos EUA a fechar acordo sobre tarifas insatisfatório, diz Mark Carney

Canadá opta por aguardar novo presidente dos EUA em vez de assinar acordo de tarifas insatisfatório, afirma Mark Carney em entrevista ao Politico.

Canadá prefere aguardar novo presidente dos EUA a fechar acordo sobre tarifas insatisfatório, diz Mark Carney

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Canadá prefere aguardar novo presidente dos EUA a fechar acordo sobre tarifas insatisfatório, diz Mark Carney

Por Marco Severini — Em declarações ao Politico, Mark Carney afirmou que o Canadá está disposto a aguardar a chegada de um novo presidente nos Estados Unidos antes de assinar um acordo sobre tarifas que não seja satisfatório para Ottawa. A posição, medida e calculada, reflete um princípio básico da diplomacia: não sacrificar alicerces por pressa.

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"Se for isso que for necessário, teremos de esperar", disse Carney, advertindo que o impasse não afeta apenas o lado canadense, mas também famílias e empresas americanas que acabarão sofrendo as consequências desse atrito. A observação revela uma percepção de interdependência econômica — e uma compreensão do tabuleiro geopolítico em que decisões precipitadas podem resultar em jogadas de custo elevado para ambos os lados.

O ex-governador, cuja carreira atravessou a governança monetária e a arena internacional, expressou ainda um desgaste diante das crescentes tensões diplomáticas com Washington: "Os canadenses estão cansados", afirmou, em referência às provocações e iniciativas adotadas pela administração de Trump. A frase sintetiza a pressão doméstica que molda a estratégia externa de Ottawa: a paciência é um recurso estratégico, e seu esgotamento altera o balanço de poder.

Na avaliação de Carney, a incerteza da política americana relativa à guerra entre Rússia e Ucrânia não é útil. Citou as oscilações de Washington sobre sanções a Moscou e sobre o fornecimento de capacidades defensivas a Kiev, ressaltando que decisões erráticas fragilizam a coerência das alianças e confundem aliados — um efeito corrosivo sobre os alicerces frágeis da diplomacia ocidental.

Por fim, Carney descartou que Ottawa tenha limitado o aprofundamento das relações com a União Europeia por temor de retaliação norte-americana: "Absolutamente não. Esse caminho leva à loucura", afirmou, numa alusão direta à imprudência de sacrificar estrategicamente parcerias fundamentais por receios conjunturais.

Do ponto de vista estratégico, a declaração canadense configura um movimento prudente no tabuleiro: optar pela espera é reconduzir a partida para posições que preservem opções futuras, minimizem perdas e evitem compromissos de curto prazo que possam redesenhar fronteiras invisíveis de influência. É também um sinal para aliados e adversários de que Ottawa busca estabilidade e previsibilidade, não capitulação.

Em termos práticos, manter a exigência de um acordo substancial coloca pressão sobre negociadores americanos e serve como um lembrete de que a estabilidade comercial é resultado de cálculos racionais e recíprocos — não de imposições. A tectônica de poder norte-americana, por sua vez, terá de avaliar se aceitar concessões agora vale o custo político interno, ou se o melhor movimento é negociar novamente quando o tabuleiro mudar.

Em suma, a posição de Canadá, conforme articulada por Mark Carney, combina prudência doméstica e visão estratégica: esperar pode ser um lance defensivo, mas é também uma escolha ativa para preservar a autonomia diplomática e as opções de longo prazo.

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