Emirados dizem estar prontos a forçar reabertura do Estreito de Hormuz e buscam coalizão internacional

Emirados prontos a intervir para forçar a reabertura do Estreito de Hormuz e buscam coalizão e resolução da ONU para ação autorizada.

Emirados dizem estar prontos a forçar reabertura do Estreito de Hormuz e buscam coalizão internacional

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Emirados dizem estar prontos a forçar reabertura do Estreito de Hormuz e buscam coalizão internacional

Por Marco Severini — Em nota exclusiva ao Wall Street Journal, diplomatas e fontes árabes indicam que os Emirados Árabes Unidos (EAU) estão dispostos a intervir, em apoio aos Estados Unidos, para abrir pela força o Estreito de Hormuz. A iniciativa, segundo as mesmas fontes, visa responder aos recentes ataques atribuídos ao Irã e a impedir que Teerã leve a economia global à beira de um colapso através do bloqueio da passagem.

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Em termos práticos, os EAU teriam pressionado por uma resolução no Conselho de Segurança das Nações Unidas que autorize uma ação destinada a garantir a liberdade de navegação. Paralelamente, diplomatas em Abu Dhabi teriam cobrado dos parceiros ocidentais e asiáticos a formação de uma coalizão capaz de forçar a reabertura do corredor marítimo.

Se confirmada, essa movimentação transformaria os Emirados no primeiro Estado do Golfo a tornar‑se um participante aberto num confronto direto, após ter sido alvo de ataques iranianos. Entre as propostas discutidas, estão esforços logísticos e operacionais, incluindo a limpeza de minas e serviços de apoio às operações navais, além de medidas para garantir pontos estratégicos no estreito.

Fontes também relatam que os Emirados pedem aos Estados Unidos a ocupação de ilhas estratégicas — entre elas Abu Musa, controlada pelo Irã há cerca de cinco décadas, mas reivindicada pelos EAU — como parte de um desenho operativo para assegurar o fluxo marítimo.

O Ministério das Relações Exteriores dos EAU tem invocado o "amplo consenso global sobre a necessidade de preservar a liberdade de navegação no Estreito de Hormuz" e cita resoluções das Nações Unidas e da Organização Marítima Internacional que condenam tanto os ataques às cidades emiradinas quanto o fechamento do estreito.

Do ponto de vista estratégico, trata‑se de um movimento que reconfigura a tectônica de poder na região. Os Emirados, ao buscar um mandato internacional e formar uma coalizão, procuram transformar uma vulnerabilidade — o impacto dos ataques — em uma iniciativa legitimadora perante a comunidade internacional. É um lance cuidadoso no tabuleiro: o objetivo é mobilizar aliados e criar alicerces diplomáticos que sustentem uma ação de força, reduzindo o risco de isolamento político.

No entanto, a escalada envolve riscos concretos. Forçar o estreito implicaria confrontos diretos com o Irã, potenciais danos a instalações marítimas e retaliações assimétricas que poderiam afetar rotas energéticas e logísticas globais. A leitura que Abu Dhabi atribui ao comportamento iraniano — o de um regime que luta pela sobrevivência estatal — reforça sua urgência em agir antes que a situação se cristalize em novas fronteiras de influência.

Em síntese, os Emirados movem‑se hoje entre diplomacia e preparação militar: pressionam por uma resolução da ONU, buscam construir uma coalizão e calibram capacidades para operações navais e de desminagem. No delicado tabuleiro do Golfo, trata‑se de um movimento decisivo que poderá redesenhar, de forma invisível, as linhas de poder na região.

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