Trump eleva a aposta com o Irã: 'Tregua muito frágil, 1% de chance; quero retomar Project Freedom no Estreito de Ormuz'
Trump diz que a tregua com o Irã tem 1% de chance e pretende retomar o Project Freedom no Estreito de Ormuz; reunião do Gabinete de Segurança avalia ações.
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Trump eleva a aposta com o Irã: 'Tregua muito frágil, 1% de chance; quero retomar Project Freedom no Estreito de Ormuz'
Por Marco Severini - Espresso Italia
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou hoje a retórica contra o Irã, afirmando que a atual tregua entre as partes é “muito fraca” e tem apenas “1% de chance” de se sustentar. Em tom seco e calculado, Trump declarou que deseja retomar o denominado Project Freedom no Estreito de Ormuz e convocou o Gabinete de Segurança Nacional para avaliar possíveis ataques cirúrgicos contra Teerã.
O pronunciamento, feito no Salão Oval, revela uma leitura em que Washington tenta exercer pressão máxima sobre Teerã em um momento de negociação truncada. Segundo o presidente, a contraoferta iraniana às 14 propostas americanas para encerrar o conflito foi considerada “inaceitável”. Trump chegou a desqualificar o documento apresentado por Teerã como “um pedaço de lixo” e comparou o cessar-fogo a um paciente ligado a aparelhos, prestes a sucumbir: “tem 1% de possibilidade de sobreviver”.
Nos bastidores, a Casa Branca aguardou por dias a resposta iraniana à proposta em 14 pontos. Em paralelo, fontes de inteligência — citadas pela imprensa internacional — ofereceram avaliações divergentes das capacidades iranianas. Relatórios sugerem que Teerã poderia resistir a um bloqueio naval por meses, contrapondo-se à narrativa presidencial de um Irã militarmente e economicamente à beira do colapso.
O cenário estratégico mudou para uma dinâmica de risco calculado: a opção militar — incluindo a retomada do Project Freedom, concebido para garantir a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz — reaparece como um movimento no tabuleiro para coagir Teerã a aceitar termos mais rígidos. A reunião do Gabinete de Segurança Nacional marcada para esta noite avaliará a viabilidade de ataques limitados e operações navais reforçadas.
Do lado iraniano, a resposta pública sinaliza determinação em manter posições essenciais: Teerã insiste na exigência de fim das hostilidades, revogação de sanções e garantias sobre seu programa nuclear. Segundo Trump, os iranianos teriam inicialmente concordado em transferir estoques de urânio enriquecido para fora do país, mas teriam recuado ao formalizar o acordo — uma acusação que amplia a desconfiança mútua.
Na cartografia da crise, os movimentos diplomáticos incluem conversas entre Washington e aliados regionais. Trump teria mantido contatos com líderes israelenses para coordenar respostas possíveis, reforçando como as alianças tradicionais reconfiguram os eixos de influência na região. Essa tectônica de poder — impulsionada por sanções, presença naval e retórica pública — desenha fronteiras invisíveis que determinam as opções estratégicas de cada ator.
Como analista, vejo a situação como um momento de alta volatilidade: a retórica serve tanto para intimidar quanto para testar limites. A retomada do Project Freedom no Estreito de Ormuz seria um movimento decisivo no tabuleiro, com riscos de escalada que podem reverberar pelos mercados energéticos e pela estabilidade marítima global. A diplomacia, por ora, repousa sobre alicerces frágeis; a próxima jogada determinará se prevalecerá contenção ou confronto.
— Marco Severini, analista sênior de geopolítica e estratégia internacional