Trump fixa 9 de abril como objetivo para encerrar conflito com o Irã; Teerã teria aceitado renunciar à arma nuclear

Trump mira 9 de abril para encerrar conflito com o Irã; Teerã teria aceitado renunciar à arma nuclear, enquanto mediadores buscam caminho diplomático.

Trump fixa 9 de abril como objetivo para encerrar conflito com o Irã; Teerã teria aceitado renunciar à arma nuclear

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Trump fixa 9 de abril como objetivo para encerrar conflito com o Irã; Teerã teria aceitado renunciar à arma nuclear

Por Marco Severini — Em um movimento que redesenha, ainda que temporariamente, as linhas do tabuleiro diplomático no Oriente Médio, a Casa Branca indicou que o presidente Donald Trump estabeleceu o dia 9 de abril — último dia da Páscoa judaica — como data-alvo para o fim do conflito com o Irã. A informação, que circula entre correspondentes internacionais e canais de inteligência diplomática, confirma uma intensa operação de mediação conduzida por Washington e por uma rede de atores regionais.

Segundo relatos de fontes paquistanesas citadas pelo jornal britânico Guardian, o vice-presidente J.D. Vance poderia assumir o papel de principal negociador americano. Em pronunciamento na Casa Branca, Trump afirmou que os iranianos teriam aceitado que "não possuirão jamais uma arma nuclear", declaração que, se consolidada, representaria uma mudança estratégica de enorme alcance nas garantias de não proliferação.

Fontes citadas por Barak Ravid, do Axios, indicam que os Estados Unidos e um grupo de mediadores discutiam a possibilidade de realizar colóquios de alto nível já nesta semana, aguardando uma resposta formal de Teerã. No âmbito das negociações, o presidente mencionou a participação de seu vice, de seu secretário de Estado, Marco Rubio, e de enviados presidenciais como Steve Witkoff e Jared Kushner. "Estamos falando com as pessoas certas, e eles querem concluir um acordo a todo custo", assegurou Trump, em tom que mistura urgência e cálculo.

No plano regional, o presidente telefonou ao primeiro-ministro indiano Narendra Modi e repercutiu a oferta do premiê paquistanês Shehbaz Sharif para fazer de Islamabad a sede das negociações. Paralelamente, ministros de Relações Exteriores do Egito, Turquia, Arábia Saudita e Paquistão reuniram-se em Riade na tentativa de abrir um canal diplomático com Teerã, mas esbarraram na dificuldade de identificar interlocutores credenciados após o assassinato de Alí Larijani.

Fontes do Wall Street Journal atribuem a mudança temporária de postura de Washington — incluindo um ultimato de 48 horas seguido por um adiamento de cinco dias dos ataques à rede elétrica iraniana — a pressões e esforços de potências regionais. Ao mesmo tempo, declarações públicas de Moscou apontam ceticismo: Serguei Shoigu, secretário do Conselho de Segurança russo, advertiu não haver sinais de que Washington e Tel Aviv pretendam encerrar sua "aventura militar".

Em contraste, Pequim mostrou-se mais favorável ao diálogo: o ministro chinês das Relações Exteriores, Wang Yi, manteve contato com o vice-chanceler iraniano Abbas Araghchi e conclamou todas as partes a aproveitarem oportunidades de negociação. O Qatar também voltou a defender uma solução diplomática.

Na análise estratégica, trata-se de um momento em que os alicerces frágeis da diplomacia regional são testados por uma complexa tectônica de poder: Washington dispõe de prazos e garantias, atores regionais oferecem palcos e canais, enquanto rivais como Moscou observam o movimento com reserva. Se confirmada, a aceitação iraniana de renunciar à arma nuclear seria um lance decisivo no tabuleiro, capaz de reconfigurar equilíbrios e abrir uma janela para um cessar-fogo duradouro — ou, na ausência de garantias verificáveis, de apenas mais uma trégua temporária.