EUA assinam acordo de segurança sobre a Groenlândia e ampliam presença militar
EUA fecham acordo de segurança na Groenlândia para ampliar bases em Pituffik, Narsarsuaq e Mestersvig; texto garante acesso livre e reconhece soberania local.
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EUA assinam acordo de segurança sobre a Groenlândia e ampliam presença militar
Por Marco Severini — Em um movimento que redesenha, com grande precisão estratégica, o tabuleiro ártico, o presidente Donald Trump assinou um novo acordo de segurança sobre a Groenlândia com a Dinamarca e as autoridades groenlandesas. A assinatura ocorreu à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, na terça-feira, e contou com a presença da primeira-ministra dinamarquesa Mette Frederiksen e do premier groenlandês Jens-Frederik Nielsen.
Segundo o texto publicado pelo Ministério das Relações Exteriores da Dinamarca, o entendimento autoriza os Estados Unidos a ampliar sua presença militar na ilha. O plano prevê a modernização e a extensão da atual base espacial de Pituffik — instalação já crucial para vigilância espacial, alerta de mísseis e defesa antimíssil, segundo a US Space Force — além da criação de novas áreas de defesa em Narsarsuaq e Mestersvig.
O acordo estabelece também um regime de "acesso livre e movimento" entre as áreas de defesa em toda a Groenlândia, incluindo águas territoriais, por terra, ar e mar. O texto prevê ainda que aeronaves norte-americanas poderão sobrevoar e pousar em qualquer parte da ilha, medida que reforça o alcance operacional dos EUA no Atlântico Norte e no Ártico.
Na retórica pública, Trump afirmou que o pacto garantirá aos EUA o “controle permanente” da segurança groenlandesa. Em post no Truth Social, declarou que nenhum adversário poderá estabelecer base, presença militar ou realizar investimentos sensíveis na ilha sem aprovação escrita dos EUA.
Do lado dinamarquês e groenlandês, a recepção foi contida e formalmente positiva. Frederiksen sublinhou que o acordo reconhece a soberania e a integridade territorial do Reino da Dinamarca, bem como o direito do povo groenlandês à autodeterminação. Nielsen destacou que o objetivo é "garantir e reforçar a segurança da ilha". Importante notar que o entendimento não atende ao desejo expresso por Trump de anexar a Groenlândia aos EUA — proposta que ele havia qualificado como essencial para segurança nacional.
Historicamente, a presença militar norte-americana na Groenlândia foi muito maior: no auge da Guerra Fria, os EUA mantinham 17 instalações e mais de 10 mil soldados na ilha. Hoje, permanece a base de Pituffik, a instalação mais setentrional sob gestão do Departamento de Defesa norte-americano.
Como analista, observo este episódio como um movimento decisivo no tabuleiro das influências árticas — uma espécie de arquitetura estratégica que reforça alicerces e, ao mesmo tempo, redesenha fronteiras invisíveis de operação e influência. A concessão de amplos direitos de acesso até certo ponto traduz a tectônica de poder contemporânea: soberanias respeitadas no papel, simultaneamente remoldadas por acordos que ampliam zonas de ação de potências externas.
Em suma, o acordo consolida a presença americana no extremo norte, reforça capacidades de vigilância e defesa e realça o caráter geoestratégico da Groenlândia, ao mesmo tempo que impõe novas dinâmicas de dependência e cooperação entre os atores envolvidos. A longo prazo, será preciso observar como se equilibrarão os alicerces frágeis da diplomacia local com os interesses de segurança das grandes potências.

